Líder da JS: “Pedro Nuno Santos nunca está em silêncio”

Miguel Costa Matos foi o único a proferir a palavra “geringonça” no congresso. Em conversa com o PÚBLICO, não se revê na ideia de haver uma geração em stand-by no PS e diz que, mesmo sem falar, Pedro Nuno Santos não esteve em silêncio.

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No primeiro dia do congresso socialista foram poucos aqueles que fizeram referência aos parceiros de esquerda. Duarte Cordeiro alertou para os perigos das “tentações” de tentar ser “auto-suficiente” e Ana Catarina Mendes repetiria a intenção de manter a estratégia de “apoio na esquerda parlamentar”. Mas foi do líder da Juventude Socialista (JS), Miguel Costa Matos, que se ouviu a única vez a palavra “geringonça” em todo o encontro socialista. Em conversa com o PÚBLICO, o jovem deputado – o mais novo desta legislatura – afasta a ideia de que existe “uma geração em stand-by à espera que António Costa saia” e afirma que a JS está ao lado do secretário-geral. Rejeita que o partido esteja “amorfo”, mas reconhece que é preciso “repensar a forma de participação” dos partidos. E mesmo sem ouvir a voz de um dos nomes apontados como potencial sucessor de António Costa, Miguel Costa Matos diz: “Pedro Nuno Santos nunca está em silêncio”.

Naquele que foi um dos discursos mais aplaudidos do primeiro dia, Miguel Costa Matos não se coibiu de fazer um pedido claro: renovar o acordo com os parceiros da anterior legislatura. O líder da JS, associado à ala esquerda socialista, voltou a apelar a um encontro entre os partidos das bancadas de esquerda (uma nova Aula Magna) – à semelhança do que aconteceu em 2013 e início de 2014 antes do nascimento dos acordos entre o PS, PCP e BE.

Questionado sobre a decisão de adiar a discussão da sucessão do líder do PS, Miguel Costa Matos afirma que “não há uma geração em stand-by à espera que António Costa saia”, mas sim “várias gerações que estão activamente a trabalhar” com o secretário-geral socialista. E apesar de vários congressistas terem apelado à união do partido – e de Pedro Nuno Santos ter optado por não discursar neste encontro – o líder da JS descarta que o partido esteja dividido.

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Miguel Costa Matos, líder da JS, discursou no primeiro dia do Congresso Carolina Pescada

“Há sempre temas que as especulações alimentam. Mas a verdade é que António Costa é líder do PS e está cá para ficar. E no futuro do PS, o sucessor de António Costa é António Costa”, responde Miguel Costa Matos, aliando-se às convicções assumidas por outros socialistas como Francisco Assis e Álvaro Beleza, que antecipam uma recandidatura de Costa em 2023.

Num congresso que ficará marcado não só pelo que foi dito, mas pelo que ficou por dizer, Miguel Costa Matos prefere destacar a contribuição de Pedro Nuno Santos noutras frentes que não o púlpito ao qual subiram dezenas de dirigentes socialistas. “O Pedro Nuno Santos nunca está em silêncio. Está entre nós, está a participar, é um camarada que não quer deixar de dar o seu contributo”, considera, desvalorizando a polémica em torno do silêncio de Pedro Nuno Santos, que à chegada (atrasada) ao congresso deixou escapar que há quem ache que “fala de mais”.

Confrontado com os sucessivos apelos à mobilização do partido – Ferro Rodrigues, Carlos César e José Luís Carneiro foram alguns dos socialistas que insistiram na necessidade de “despertar” o PS – Miguel Costa Matos desvaloriza a escolha de palavras. “O PS não precisa de ser mobilizado porque tem falta de mobilização ou porque está amorfo, antes pelo contrário”, assevera. Não obstante, o jovem socialista reconhece que é preciso “repensar a forma de participação dos nossos partidos para que aquela ideia que a pessoa tem para intervir, seja no seu bairro, seja a nível nacional”. “Na JS é isso que temos procurado fazer nas nossas actividades”, argumenta.

A JS apresenta cinco moções sectoriais neste congresso: a legalização do cultivo, comércio e consumo da cannabis; a regulamentação da prostituição; a antecipação de 2050 para 2045 a meta da neutralidade climática; a revisão constitucional ou a realização de um referendo nacional para a concretização da regionalização; e a criação de um “programa de emergência” para o fomento do emprego jovem.