Linhas vermelhas: Portugal com “elevada intensidade, mas com tendência estável”

O relatório do INSA e da DGS revela que a variante Delta continua a ser a dominante em Portugal e representa já 99,5% dos casos.

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A proporção de testes positivos para SARS-CoV-2 a nível nacional foi de 4% — valor igual ao limiar definido a nível internacional Nelson Garrido

O relatório de monitorização das “linhas vermelhas” dá conta que a “análise dos diferentes indicadores" da covid-19 revela uma “actividade epidémica de SARS-CoV-2 de elevada intensidade, com tendência estável a nível nacional”. Contudo, como consta do documento elaborado pela Direcção-Geral da Saúde (DGS) e pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), divulgado esta sexta-feira, nas regiões do Alentejo e do Algarve e no “grupo etário dos dez aos 29 anos” revela-se uma “provável tendência crescente”.

A mortalidade por covid-19, manter-se-á “provavelmente elevada, mas com tendência constante.” Além disso, apesar de a mortalidade “específica” por covid-19 (18,1 óbitos em 14 dias por milhão habitantes) ter, actualmente uma “tendência estável”, continua, à semelhança da semana passada, acima do limiar preconizado pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC, na sigla em inglês). É de notar que no último balanço este indicador revelava uma tendência “crescente”. 

No que diz respeito ao índice de transmissibilidade da doença — denominado R(t) — o valor é inferior a 1, “indicando uma tendência estável a decrescente da incidência de infecções por SARS-CoV-2, a nível nacional (0,98) e nas regiões Norte e Lisboa e Vale do Tejo.” Já no Centro, Alentejo e Algarve o R(t) é ligeiramente superior a 1, correspondendo a uma tendência de “incidência constante a crescente nestas regiões”, lê-se no relatório.

As autoridades de saúde alertam que “se estas taxas de crescimento se mantiverem, o limiar da taxa de incidência a 14 dias de 960 casos por 100.000 habitantes poderá ser atingido em duas semanas a um mês na região Algarve. No Alentejo o limiar dos 480 casos por 100.000 pode ser atingido “em um a dois meses”.

Foi igualmente registado um aumento do valor médio do R(t) em todas as regiões, resultados que “sugerem uma desaceleração da tendência decrescente da incidência, e o possível início de uma fase de crescimento da incidência nas regiões Alentejo e Algarve.”

Ainda assim, a incidência da covid-19 em Portugal apresenta uma “tendência estável”, registando-se 312 novos casos a 14 dias por 100.000 habitantes, segundo dados de 18 de Agosto. Apenas a região do Algarve mantém uma incidência superior ao limiar de 480 casos a 14 dias por 100.000 habitantes, contabilizando 748.

Incidência mais elevada entre os jovens adultos

É nas faixas etárias mais jovens que se tem contabilizado o número mais elevado de casos, com o grupo etário dos 20 aos 29 anos de idade a registar a incidência cumulativa a 14 dias mais elevada (776 casos por 100.000 habitantes), o qual apresenta "uma possível tendência crescente.” Já o “grupo etário dos indivíduos com 80 ou mais anos apresentou uma incidência cumulativa a 14 dias de 135 casos por 100.000 habitantes, que reflecte um risco de infecção inferior ao risco para a população em geral, com tendência decrescente”. O grupo etário com 65 ou mais anos apresenta uma taxa de incidência cumulativa a 14 dias de 115 casos por 100.000 habitantes, “valor inferior ao limiar definido de 240 casos por 100.000”, revela também o relatório.

O número de internamentos em unidades de cuidados intensivos (UCI) no continente revelou uma tendência “estável a decrescente”, em todas as faixas etárias, correspondendo a 55% (na semana anterior foi de 66%) do valor crítico definido de 255 camas ocupadas. É no grupo de pessoas com idades compreendidas entre os 60 e os 79 anos de idade que se notam mais hospitalizações em UCI. O INSA e a DGS destacam ainda que a pressão sobre os cuidados de saúde tem uma “tendência decrescente.”

Variante Delta representa 99,5% dos casos 

A variante Delta (B.1.617.2), originalmente associada à Índia, continua a ser a variante do novo coronavírus dominante em Portugal e representa já 99,5% dos casos (avaliados na semana de 2 a 8 de Agosto), de acordo com o relatório.

O INSA destaca que a frequência desta variante tem “aumentado em todas as regiões durante as últimas semanas, tendo-se registado valores acima de 95% em todas as regiões”.

Já a variante Alpha, associada ao Reino Unido, apresentou uma frequência de 0,5% a nível nacional durante o mesmo período e “apresenta este valor residual de cerca de 1% há quatro semanas consecutivas”.

Entre 2 a 8 de Agosto, não foram detectados quaisquer casos das restantes variantes de preocupação, entre as quais a variante Beta (associada à África do Sul) e a Gamma (identificada originalmente em Manaus, Brasil).

Até ao dia 20 de Agosto, foi realizada a sequenciação genómica em 14.181 amostras.

Testagem aumenta

Segundo o relatório, a proporção de testes positivos para SARS-CoV-2 a nível nacional foi de 4% — valor igual ao limiar definido a nível internacional — o que sugere uma “tendência estável”, observando-se um aumento do número total de testes realizados entre 12 a 18 de Agosto (402.358). “No seu conjunto, estes indicadores estão de acordo com a evolução do número de casos de infecção na comunidade”, refere o relatório. Quanto à proporção de casos confirmados notificados com atraso foi de 4,1%, mantendo-se abaixo do limiar de 10%.

No mesmo período, pelo menos 88% dos casos de infecção foram isolados em menos de 24 horas após a notificação e foram rastreados e isolados, quando necessário, todos os contactos em 72% dos casos. Entre 12 e 18 de Agosto, estiveram envolvidos no processo de rastreamento, em média, 350 profissionais a tempo inteiro, por dia, no continente.