Sonae conclui venda de 24,99% do capital da Modelo Continente

Valor da operação avalia a unidade de retalho alimentar da Sonae em cerca de 2,4 mil milhões de euros.

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Nuno Ferreira Santos

A venda de 24,99% do capital da Sonae MC à Camoens Investments, uma entidade detida indirectamente por fundos geridos pela CVC Advisers Company (Luxembourg) foi concluída esta quarta-feira. Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a Sonae SGPS (proprietária do PÚBLICO), refere que a transacção foi concluída “nos termos comunicados ao mercado a 31 de Julho de 2021”.

De acordo com a informação avançada anteriormente, a venda foi realizada por 528 milhões de euros, prevendo o acordo ainda o pagamento do contingente diferido de até cerca de 63 milhões de euros à Sonae. Segundo a mesma fonte, os termos do negócio avaliam a área de retalho alimentar da Sonae em 2363 milhões de euros.

A transacção “permite à Sonae SGPS estabelecer uma parceria com um investidor de referência para apoiar o plano de crescimento da Sonae MC, mantendo uma posição de controlo num activo essencial do seu portfólio”, lia-se no comunicado de 31 de Julho, adiantando que “esta parceria enquadra-se na estratégia de gestão activa de portefólio da Sonae SGPS, que procura a cada momento implementar a estrutura accionista ideal para cada um dos seus negócios e unir forças com parceiros de elevado valor acrescentado”.

Ainda em relação aos compradores, é referido que “os fundos CVC são investidores financeiros de renome internacional, com um percurso de sucesso no estabelecimento de parcerias em todo o mundo"e que “o investimento na Sonae MC será realizado através do fundo “Strategic Opportunities”, o qual tem um horizonte de investimento de longo prazo, sendo que o investidor irá trazer a sua vasta experiência no sector do retalho, bem como o seu longo historial de apoio a iniciativas de crescimento orgânico e inorgânico, apoiando a Sonae MC na execução da sua estratégia”.

A alienação de capital da dona do Continente, entre outras insígnias, acontece dois anos depois da tentativa de dispersar em bolsa entre 21,7% e 33,7% do seu capital, operação que acabou por ser cancelada em face de “condições adversas nos mercados internacionais”, justificou o grupo.

No primeiro semestre, a Sonae SGPS (que agrega ainda o retalho não alimentar, e as participações na área das telecomunicações e propriedade e gestão de centros comerciais) consolidou um volume de negócios de 3,22 mil milhões de euros (mais 5,5% do que no primeiro semestre de 2020), a Sonae MC foi responsável por mais de 75% desse valor. O volume de negócios realizado pela dona da marca Continente foi de 2,5 mil milhões de euros, um crescimento de 5,4%.

A Sonae MC agrega as redes Continente, Continente Modelo e Continente Bom Dia (hiper e supermercados), a rede de franchising Meu Super, e a rede de lojas de produtos biológicos Go Natural. Agrega ainda as cafetarias Bagga, a rede de lojas para animais Zu e as papelarias Note. Fruto da liberalização da venda dos medicamentos não sujeitos a receita médica em Portugal, há uns anos, a Sonae autonomizou também essa parte dos hipermercados, criando as para-farmácias Well's. É através desta área, aliás, que a Sonae MC tem presença em Espanha, com a rede Arenal, que se juntou ao portefólio por aquisição.