Incêndio que deflagrou em Castro Marim dominado

Mais de 80 pessoas de 12 localidades diferentes foram retiradas por precaução e quase 200 animais foram retirados do canil municipal de Vila Real de Santo António. A A22 foi entretanto reaberta por estarem reunidas condições de segurança.

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Na segunda-feira à noite, o fogo já tinha entrado nos concelhos de Tavira e Vila Real de Santo António, sendo a prioridade dos bombeiros travar a expansão a sul DR
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O incêndio rural que deflagrou na madrugada de segunda-feira em Castro Marim, e que lavra em mais dois municípios do Algarve, foi dominado às 16h02, disse à agência Lusa fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro de Faro.

“Tendo em consideração o que poderia ter acontecido, o balanço [deste incêndio] é positivo”, diz Patrícia Gaspar, Secretária de Estado da Administração Interna, em conferência de imprensa às 19h20, agradecendo aos autarcas dos concelhos abrangidos pelo incêndio.

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No mesmo sentido, Ana Paula Martins, presidente da câmara municipal de Tavira reforça a ideia de que “o incêndio foi muito severo e muito adverso”. A autarca afirma que o próximo passo é recuperar. “Vamos trabalhar para rapidamente colocar no terreno um plano para recuperar”.

A vice-presidente da câmara de Castro Marim, Filomena Pascoal Sintra, além dos agradecimentos aos envolvidos, deixa uma mensagem: “Castro Marim é um sítio recôndito do nordeste algarvio e este é um acontecimento que nos faz recuar às nossas dificuldades de viver neste território tão isolado, sem comunicação. Por isso é que este centro de operações está aqui, aparentemente tão distante, mas é uma medida que se tem de tomar a nível nacional “, diz, reforçando a ideia de que é “difícil comunicar”.

Pelas 19h20 o fogo mobilizava 523 operacionais, apoiados por 190 veículos e um meio aéreo, segundo a página da Protecção Civil nacional.

O incêndio, que se estendeu “de forma fulminante” para os concelhos de Vila Real de Santo António e Tavira durante a tarde de ontem, “lavrou com muita intensidade, atingindo um perímetro de 43 quilómetros, numa área afectada de cerca de 9000 hectares”, informou esta terça-feira o comandante das operações de socorro. Numa conferência de imprensa em Castro Marim, Richard Marques acrescentou que se tratava de uma “taxa de expansão de 650 hectares por hora” e que “o potencial deste incêndio é de 20.000 hectares.”

O incêndio foi agravado por ventos fortes e obrigou à retirada de várias pessoas ao longo da noite por precaução, segundo a protecção civil. O comandante referiu que, apesar das difíceis condições meteorológicas, foi possível durante a noite “executar o plano estratégico de acção” e que na manhã desta terça-feira estava a ser consolidado o grande objectivo de “sustentar a capacidade de travar” a progressão das chamas.

O incêndio em Santa Rita, em Tavira LUÍS FORRA/LUSA
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Contudo, Richard Marques tinha revelado alguma preocupação relativamente ao quadro meteorológico desta terça-feira, antecipando que fosse “similar” ao de segunda-feira, embora estivesse prevista uma mudança da direcção do vento que poderia “coincidir com o período crítico do dia”.

O comandante admitiu anteriormente que o cenário seria “desafiante”, existindo alguns “pontos quentes”, nomeadamente, a norte, a Mata Nacional da Conceição (Mata de Santa Rita), onde as chamas destruíram a área de lazer e piquenique.

Apesar dos danos materiais, com casas e culturas atingidas, numa contabilização ainda por fazer, apenas um bombeiro ficou ferido, sem gravidade e uma oficina danificada.

Não há também feridos a registar entre as populações: 81 pessoas de 12 localidades diferentes foram retiradas por precaução. Além disso, cerca de 80 cães e 110 gatos foram retirados do canil municipal de Vila Real de Santo António por precaução, com a ajuda de voluntários.

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O incêndio deflagrou à 01h05 de segunda-feira e chegou também a ser dado como dominado pelas 10h20, mas o “quadro meteorológico severo”, com altas temperaturas e vento, estiveram na origem de uma “reactivação muito forte, em pleno período crítico do dia, junto à cabeça/flanco direito do incêndio original, e este ficou rapidamente fora da capacidade de extinção”, explicou Richard Marques.

Totalidade dos prejuízos por averiguar

“Vi famílias desesperadas que perderam todos os seus haveres, pessoas dedicadas à agricultura, com plantações de alfarrobeiras, amendoeiras, pinheiros, dedicadas à apicultura, e de um momento para outro viram reduzidos os rendimentos a zero. Arderam milhares de hectares, não fazemos ideia ainda da totalidade dos prejuízos”, contou o presidente da Câmara Municipal de Castro Marim, Francisco Amaral.

Também a presidente da Câmara de Tavira, Ana Paula Martins, afirmou ter testemunhado “algumas habitações pelo menos parcialmente afectadas” e destacou que a zona da mata da Santa Rita “foi muito afectada”.

Já o presidente de Câmara de Vila Real de Santo António, Luís Romão, anunciou que o incêndio provocou “bastantes estragos” na freguesia de Vila Nova de Cacela e enalteceu a “acção cívica” das populações na retirada dos animais do canil, que foi feita com “prudência e sucesso”.

Duas zonas de apoio à população

Fonte da protecção civil tinha dito anteriormente à Lusa que tinham sido deslocadas durante a madrugada 58 pessoas para as zonas de apoio à população, em “povoados dispersos” e em “diferentes pontos do teatro de operações”. Além destas, “houve mais pessoas que se deslocaram pelos seus próprios meios para casa de familiares e amigos”, acrescentou uma fonte do comando regional do Algarve esta manhã.

Foram criadas duas zonas de apoio à população no Azinhal, Castro Marim, e em Tavira.

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“Cerca de 50 pessoas foram retiradas de casa, a maior parte voluntariamente, e neste momento, com as coisas a melhorar, já estão a regressar”, disse à Lusa Francisco Amaral, pouco depois das 10h. De acordo com o autarca, as populações mais atingidas pelo incêndio foram as de Cortelha, Pego dos Negros, Fontainhas e monte da Amendoeira.

Segundo Francisco Amaral, a povoação de Pisa Barro, onde não conseguiram chegar os bombeiros, lutou “com garra enorme”, sendo os “heróis que combateram o fogo, defendendo as suas casas”, desde os mais novos aos mais velhos.

Também no concelho vizinho de Tavira tiveram de ser retiradas pela GNR das suas casas 26 pessoas, que, de acordo com Ana Paula Martins, passaram a noite na zona de apoio à população, devido à proximidade do fogo das suas habitações.

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O incêndio junto à Via do Infante, em Tavira LUÍS FORRA/LUSA

“Sei que estamos com uma frente activa complicada que está a ser combatida por meios aéreos, já apresentava complicações na madrugada, na Malhada de Peres. Penso que a situação está a ser combatida da forma possível”, afirmou, pelas 10h30.

A auto-estrada já foi reaberta

A A22 foi entretanto reaberta por estarem reunidas condições de segurança para o efeito, anunciou a guarda. A GNR apelou ao máximo que sejam evitadas as deslocações na EN125, entre Vila Real de Santo António e Tavira, devido ao incêndio que lavra na zona — até agora a alternativa à auto-estrada. 

“O trânsito está muito condicionado na zona. Já por si é mais intenso nesta altura de Verão, agora circula muito lentamente entre Vila Real de Santo António e Tavira”, sublinhou a mesma fonte da GNR à Lusa pelas 10h30.

Bruxelas activa programa de observação por satélite

A Comissão Europeia activou, a pedido de Portugal, o Programa de Observação da Terra da União Europeia (Copernicus) para monitorizar o incêndio. “Durante aquele que promete ser um verão recorde em termos de número de activação da cartografia de emergência, fomos agora encarregados de monitorizar um incêndio no distrito de Faro, na região do Algarve”, anunciou o programa no Twitter.

O Copernicus, que tem sempre de ser activado a pedido dos países da UE, faculta serviços de informação baseados na observação por satélite e de sistemas de medição terrestres, aéreos e marítimos destinados a ajudar os prestadores de serviços e autoridades públicas, neste caso, a Protecção Civil portuguesa.