A queda de Cabul e a humilhação americana

Se a guerra mais longa dos americanos foi uma ideia de Bush e aliados em resposta ao 11 de Setembro, a derrota em Cabul/Saigão é de Joe Biden. Foi Biden que herdou, aparentemente sem questionar muito, as negociações para a retirada desencadeadas por Trump.

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Reuters/EVELYN HOCKSTEIN

Vinte anos depois do 11 de Setembro, Cabul caiu nas mãos dos taliban a uma velocidade que o secretário de Estado americano, Antony Blinken, com alguma inocência, não estava à espera. “Manifestamente, isto não é Saigão”, repetia Blinken neste domingo, quando já estava mais ou menos claro que iria ser Saigão. A humilhação de Saigão em 1975, um trauma americano, tinha sido afastada por Joe Biden naquela famosa conferência de imprensa de 8 de Julho, em que mostrava à saciedade a incapacidade de previsão da Administração e dos seus serviços de informação sobre o colapso iminente do Afeganistão às mãos dos taliban. Mas por muito que Biden parecesse estar a leste relativamente à iminente tomada de Cabul, Blinken voltou ontem, no meio do caos afegão, a fazer o seu statement de “missão cumprida”: “Fomos para o Afeganistão há 20 anos com uma missão, que era combater quem nos tinha atacado no 11 de Setembro, e essa missão foi bem-sucedida.” É uma declaração patética no dia em que o Presidente afegão, Ashraf Ghani, foge – aquele que Biden, ainda na véspera, instava a “governar o seu país”.

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