Google deixa pais esconder fotografias dos filhos menores no motor de busca

As imagens em questão continuam online, mas torna-se mais difícil chegar até elas com as ferramentas da Google. O objectivo é proteger crianças e jovens.

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A Google reconhece que a pandemia obrigou as crianças a passar mais tempo online Nelson Garrido

Pais e mães em todo o mundo vão passar a poder pedir à Google para esconder fotografias dos seus filhos no motor de busca se estes forem menores de idade. A novidade faz parte de novas regras anunciadas esta terça-feira pela tecnológica norte-americana para proteger crianças e jovens online nos seus sites e aplicações como o YouTube, Google Search, Google Play e Google Maps.

“À medida que as crianças e os adolescentes passam mais tempo online, pais, educadores, especialistas em segurança e privacidade infantil, e legisladores preocupam-se, com razão, em mantê-los em segurança”, justifica Mindy Brooks, directora de produto das ferramentas da Google para crianças e famílias, num comunicado sobre as mudanças em que reconhece que a pandemia obrigou os menores a passar ainda mais tempo online.

No que toca ao motor de busca, a Google passa a permitir que pessoas com menos de 18 anos, ou os seus encarregados de educação, solicitem a remoção de fotografias suas dos resultados de pesquisa. As imagens em questão continuam na Internet (a Google não pode apagar ou interferir com o conteúdo que aparece noutros sites), mas torna-se mais difícil chegar até elas. 

No fundo, é uma forma mais fácil de alguém exercer o direito ao esquecimento, uma lei adoptada em 2014 pelo Parlamento Europeu que permite às pessoas na União Europeia pedirem à Google para remover informação pessoal irrelevante dos resultados do motor de busca. Contudo, no caso do direito ao esquecimento é preciso enviar um requerimento por escrito que tem de ser avaliado tendo em conta o interesse público da informação.

Vídeos privados e lembretes para dormir

A Google também está a investir na prevenção. Para evitar vídeos partilhados acidentalmente, ou irreflectidamente, no YouTube, o conteúdo publicado por utilizadores entre os 13 e os 17 anos passa a ser privado por defeito (utilizadores mais novos não podem, em teoria, publicar no site). Isto quer dizer que os vídeos apenas podem ser vistos pelos utilizadores que os publicaram ou por pessoas convidadas por email, a não ser que o utilizador decida alterar as configurações. “Queremos ajudar os utilizadores mais jovens a tomar decisões bem fundamentadas sobre a sua pegada e privacidade digital ao encorajá-los a fazer uma escolha intencional se quiserem tornar o seu conteúdo público”, justifica James Beser, responsável pela gestão dos produtos YouTube Kids and Family, num comunicado sobre as mudanças.

Para ajudar crianças e jovens a passar menos tempo online, as apps do YouTube vão passar a incluir lembretes de “pausas” e “hora de ir dormir” para utilizadores com menos de 18 anos. A função de autoplay, que permite passar de um vídeo para outro sem carregar no ecrã, passa a estar desactivada. Anúncios personalizados, com base na idade, género ou interesses dos utilizadores, ficam bloqueados para menores de 18 anos.

Um dos problemas no YouTube, no entanto, são vídeos em que os utilizadores promovem conteúdo para crianças. É o caso de vídeos patrocinados por marcas de brinquedos que são muito populares: em 2018, por exemplo, o YouTuber mais bem pago era um rapaz com sete anos com um canal, controlado pelos pais, em que testava brinquedos da Lego, carrinhos ou bonecos da Disney. 

Estes vídeos vão deixar de aparecer na versão do YouTube para crianças. “Vamos começar a remover conteúdo demasiado comercial do YouTube Kids, como vídeos que só se focam nas caixas dos produtos ou encorajam directamente que crianças gastem dinheiro”, confirma James Beser.

Fora do YouTube, o histórico de localização do Google Maps, que regista os locais por onde alguém passa no dia-a-dia, passa a estar desactivado, sem opção de o activar, para todos os menores. 

Mesmo com as mudanças, um dos maiores desafios para a Google é saber quais os utilizadores têm mesmo menos de 18 anos — é fácil pôr uma data de nascimento falsa quando se cria uma conta online sem supervisão. “Saber a idade exacta dos nossos utilizadores em múltiplos produtos e superfícies, respeitando ao mesmo tempo a sua privacidade e assegurando que os nossos serviços se mantêm acessíveis, é um desafio complexo”, salienta Mindy Brooks que conclui a apresentação das novidades pedir mais envolvimento de reguladores, legisladores e fornecedores de tecnologia no que toca à segurança das crianças online. 

As actualizações da Google chegam dias depois de a Apple anunciar que quer usar tecnologia para procurar imagens de cariz sexual nos iPhones de menores de idade.​