O primeiro museu de Paredes vai retratar a indústria de mobiliário do concelho

O futuro Museu do Mobiliário de Paredes, que vai ficar sediado no Mosteiro de Vilela, terá exposições, oficinas, visitas guiadas a empresas e uma incubadora de design. Projecto será agora submetido à Direcção de Cultura do Norte.

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Paredes quer que o novo museu seja um espaço de turismo industrial NFACTOS / FERNANDO VELUDO

O trabalho em madeira e a produção de peças de mobiliário, no concelho de Paredes, terá começado no Mosteiro de Vilela, pelas mãos dos cónegos regrantes de Santo Agostinho, que ali viveram durante séculos, tirando partido da força motriz do rio Ferreira para cortar e transformar madeira, primeiro para fabricar alfaias agrícolas, charruas de madeira e, só mais tarde, cadeiras e móveis. A ligação umbilical deste monumento, classificado como Conjunto de Interesse Público desde 2013, à indústria do mobiliário paredense, aliada à inutilização do espaço em anos recentes, fez dele o lugar ideal para acolher o futuro Museu do Mobiliário de Paredes, revela Alexandre Almeida. “É um espaço muito interessante, em termos de interior, e que necessitava de uma reabilitação”, contextualiza o autarca.

O mosteiro, cuja construção é anterior à fundação da nacionalidade, vai agora ser recuperado e reconfigurado para concretizar uma vontade que vem desde o início do mandato do executivo socialista, em 2017. “Sendo Paredes o principal pólo produtor de mobiliário do país, fazia todo o sentido que o primeiro museu [do concelho] evocasse a história da indústria.” Em 2006, a Câmara Municipal de Paredes já adquirira o edifício, localizado num terreno com cerca de 6000 metros quadrados, precisamente com o intuito de instalar ali um espaço museológico dedicado à “arte do móvel”.

Área de bar e restauração DR
Auditório DR
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Investir no design de mobiliário

O projecto começa agora a ganhar forma e o primeiro estudo de arquitectura, elaborado por Rui Dinis e Henrique Marques do atelier Spaceworkers, foi apresentado na semana passada. O Museu do Mobiliário deverá contar com um núcleo expositivo que permita conhecer a “história do mundo do mobiliário desde os seus primórdios da sua instalação em Paredes até à actualidade”, um espaço de oficinas que permita mostrar, por exemplo, “a produção de algumas peças em talha ao vivo”, visitas guiadas por algumas unidades industriais do concelho para mostrar a “tecnologia e o know-how que estão por detrás do fabrico”, um espaço de bar e restauração, um auditório e uma incubadora de design que possa “inspirar designers a desenvolverem trabalhos para as indústrias de mobiliário de Paredes”.

Para Alexandre Almeida, o investimento no design de mobiliário a nível local deve posicionar-se como “uma aposta cada vez maior” dos industriais da região, pois “se forem capazes de desenvolver linhas próprias, isso vai acrescentar valor às suas peças”. “Não podem, exactamente, estar à espera que apareçam clientes internacionais com produtos desenhados para eles produzirem, têm de apresentar os seus próprios produtos.”

Descobrir as origens da madeira

Mais do que o convencional espaço museológico, o Museu do Mobiliário pretende ser um espaço vivo e dinâmico de turismo industrial, integrando uma espécie de rota do mobiliário de Paredes a par do futuro Parque Temático da Madeira, que será construído na freguesia de Vandoma. O projecto, que está a ser trabalhado paralelamente com o do museu, prevê a criação de uma área verde com as várias espécies de árvores cuja madeira é utilizada para produzir mobiliário, como carvalho, mogno, choupo ou faia, e com peças feitas a partir de cada uma delas. “Este parque vai permitir o contacto da comunidade com a madeira que dá origem aos móveis”, explica Alexandre Almeida. O presidente da câmara refere que, embora “muito dedicado ao público infanto-juvenil”, o espaço poderá ser visitado por todos.

A madeira é, sem surpresas, o material em destaque no estudo de arquitectura do Spaceworkers para o Mosteiro de Vilela, cuja classificação foi a “condicionante primordial de todo o projecto”, segundo Henrique Marques. A intervenção foi pensada “de forma a não colidir com a história” e “não toca no edifício nem nas paredes”. “Toca nos pavimentos, mas isso pode ser revertido daqui a uns anos, se for preciso”, explica. O pavimento, composto por terra batida em parte, vai levar terrazzo, uma espécie de mármore, e “à medida que subimos para espaços expositivos, passamos a ter a nobreza da madeira”.

O estudo será agora submetido para avaliação da Direcção Regional de Cultura do Norte (DRCN) e só depois da aprovação haverá dados sobre o orçamento da obra, diz Alexandre Almeida, acrescentando que “este não deverá ser muito elevado, pois será apenas uma intervenção no interior”. Depois de dado o ponto de partida, o Museu do Mobiliário deverá tornar-se realidade nos próximos anos. “É um projecto para o próximo mandato.”