Mesmo ligando o complicómetro, o Benfica entra a vencer na I Liga

Os “encarnados” colocaram-se cedo com dois golos de vantagem, mas um erro defensivo e uma expulsão de Diogo Gonçalves deram alento ao Moreirense, que não conseguiu evitar a derrota (1-2).

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LUSA/OCTÁVIO PASSOS

Foram vinte minutos de qualidade e setenta de problemas antigos. O Benfica estreou-se neste sábado na I Liga com um triunfo em Moreira de Cónegos, mas depois de se colocarem cedo com dois golos de vantagem, as “águias” ligaram o complicómetro e, com um erro defensivo e uma expulsão de Diogo Gonçalves deram um novo alento ao Moreirense. No entanto, mesmo em superioridade numérica, a equipa minhota revelou sempre muitas fragilidades, não conseguindo evitar a derrota (1-2).

Menos de 72 horas depois de entrar na nova época com um resultado e uma exibição muito positiva em Moscovo, Jorge Jesus mudou quase tudo na sua equipa. Confirmando o que tinha dito na véspera, onde garantiu que daria “prioridade aos jogos da Champions”, o técnico manteve, em relação à partida com o Spartak, apenas quatro jogadores no “onze”: Vlachodimos (Helton Leite está castigado), os três centrais e Diogo Gonçalves. Com uma dupla a meio-campo nova (Meité e Taarabt), Jesus mantinha o 3x4x3, com Gonçalo Ramos no centro do ataque (Vinícius nem no banco se sentou) e as alas entregues a Everton e Waldschmidt.

Do outro lado, a estreia oficial de João Henriques como treinador do Moreirense não tinha corrido bem (eliminação da Taça da Liga em Penafiel), e o antigo técnico do V. Guimarães tinha dito que o confronto com o Benfica seria o “jogo do gato e do rato”, assegurando que os minhotos iriam apresentar-se sem medo: “Quando tivermos bola, vamos atacar a baliza, quando não tivermos vamos atacar a bola.” No entanto, a entrada na partida do Moreirense foi amorfa e permissiva, facilitando muito o papel de caçador do Benfica.

Mesmo sem despender muitas energias, os “encarnados” chegaram ao golo no oitavo minuto: após um canto, com alguma confusão e vários ressaltos pelo meio, a bola sobrou para Veríssimo, que, depois de fazer uma assistência contra o Spartak, marcou o primeiro golo benfiquista na I Liga 2021/22. Quase de seguida, Waldschmidt caiu quando seguia isolado. O árbitro considerou haver falta e mostrou o vermelho a Artur Jorge. Após consultar as imagens, a decisão foi, no entanto, revertida.

Por momento, os jogadores do Moreirense respiraram de alívio, mas o início estava demasiado fácil para o Benfica que, sem surpresa, marcou novamente. Ainda antes de se chegar ao 20.º minuto, Diogo Gonçalves centrou, Rosic cortou de forma deficiente, e Waldschmidt, com facilidade, fez o 0-2.

A meio da primeira parte, as “águias” pareciam ter o jogo na mão, mas, embora a época seja nova, o Benfica exibiu problemas antigos. Sem que o Moreirense fizesse muito para reagir, aos 30’, mesmo jogando com três centrais, os benfiquistas deram muita liberdade na zona central e, perante a passividade dos adversários, Matheus assistiu Rafael Martins que, após ultrapassar Vlachodimos, colocou a bola no fundo da baliza, dando novo alento aos minhotos.

Um par de minutos depois, Taarabt, como é hábito, marcou um adversário com os olhos em zona perigosa, mas Vlachodimos impediu que Abdoulaye empatasse. Porém, até ao intervalo, a melhor oportunidade foi dos lisboetas, mas Ramos acertou na barra.

Sem qualquer alteração, a segunda parte começou com um ritmo lento e sem grande atrevimento por parte do Moreirense, mas uma entrada muito dura de Diogo Gonçalves, que atingiu Abdu Conté no tornozelo, lesionando o internacional sub-21 português, resultou num correcto vermelho directo para o benfiquista.

Com cerca de meia hora para jogar, o Benfica, por culpa própria, colocava-se em dificuldades e Jesus foi obrigado a mexer: Gilberto e Weigl no lugar de Taarabt e Waldschmidt. Mais recuados, os benfiquistas ficavam expostos às tentativas de ataque do rival, mas, com poucas soluções, o Moreirense não causou grandes problemas a Vlachodimos.

Mesmo gerindo o plantel, Jesus garantia o objectivo de entrar a vencer no campeonato, mas o técnico deixou o Minho com a certeza que ainda terá muitos problemas para resolver para o que resta da temporada.