A viatura de alta-cilindrada da GNR está parada há cinco meses numa oficina e o transporte de órgãos é feito de forma mais lenta e menos segura?

GNR diz que a situação não coloca em causa a missão de transporte de órgãos e que esta “continua a ser desempenhada com total segurança”.

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Rui Gaudencio

Segundo o PSD, o transporte de órgãos para transplante está a ser feito por carros normais de patrulha, mais lentos e menos seguros. A GNR confirma que a viatura em causa está para reparação, mas desmente que esta situação esteja a pôr em causa o transporte de órgãos.

A frase

“Desde Março, a GNR tem ao seu dispor um veículo de alta cilindrada, apreendido pelo Estado português, para transporte de órgãos para transplante. Porém, o carro está parado há cinco meses numa oficina em Lisboa para proceder a uma reparação. O transporte de órgãos está a ser feito por carros normais de patrulha, mais lentos e menos seguros.” Post do PSD no Facebook

O contexto

A SIC foi o primeiro órgão de informação a noticiar, a 3 de Agosto, que o Nissan GT-R, estimado em cerca de 150 mil euros, que a GNR recebeu, em Março, para dedicar ao transporte de órgãos destinados a transplante nunca chegou a fazer qualquer transporte de órgãos porque precisa de uma reparação que não terá sido autorizada até ao momento. A viatura estaria desde então para reparação numa oficina especializada, em Benfica, a única credenciada para este tipo de automóvel, que atinge facilmente os 300 quilómetros por hora. O transporte de órgãos estaria assim a ser assegurado por carros normais de patrulha, mais lentos e que não apresentam tanta segurança para os seus condutores. No dia seguinte, o PSD colocou na sua página oficial do Facebook um post em que, considerando que o transporte de órgãos que irá salvar vidas e a segurança dos agentes da GNR não podem esbarrar na burocracia do Estado, questionava: “O que espera o Governo para fazer o que lhe compete?”

Os factos

O Nissan GT-R, um modelo desportivo de marca japonesa, foi uma das duas viaturas (a outra é um Mercedes CLS) que reverteram a favor da GNR depois de terem sido apreendidas ao abrigo de processos por crimes fiscais. No dia 9 de Março passado, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, e o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales, deslocaram-se ao centro clínico da GNR para a cerimónia de entrega das viaturas àquela força policial. O tenente-coronel Rui Clero considerou que as mesmas apresentavam “as especificações de segurança e de celeridade adequadas à nobre missão de transplante de órgãos em todo o território”. O objectivo então enunciado era que uma das viaturas ficasse adstrita ao comando do Porto e a outra ao de Lisboa, num contributo tido como fundamental para uma força de segurança que, segundo então foi dito, efectuou nos últimos cinco anos 1434 transportes de 1700 órgãos, ao longo de um total de 290 mil quilómetros. Curiosamente, dias depois circulou no Facebook uma denúncia segundo a qual o Nissan GT-R estaria a ser utilizado para “passar multas” no âmbito de acções de policiamento e fiscalização rodoviária, o que foi então prontamente desmentido pela GNR.

Sobre a alegação posta agora em cima da mesa, o tenente-coronel João Fonseca, das Relações Públicas da GNR, confirma que a viatura em causa encontra-se em reparação “na medida em que, aquando da sua utilização operacional, foram verificados alguns danos na parte inferior do chassis que motivaram a sua paragem e consequente reparação, por forma a garantir cabalmente a segurança dos militares da guarda que a utilizam bem como dos restantes utilizadores das vias, dada a especificidade da missão alocada a este veículo”.

Recusando especificar há quanto tempo está a viatura à espera de reparação, aquele responsável adiantou ainda que “esta situação de forma alguma coloca em causa a missão de transporte de órgãos, uma vez que continua a ser desempenhada com total segurança pelas viaturas alocadas e existentes nos destacamentos de trânsito”.

A GNR assegura o transporte de órgãos para transplante desde 1994, “sendo que, só este ano de 2021 e até 31 de Julho, a GNR já efectuou 156 transportes de órgãos, empenhando 313 militares, tendo percorrido cerca de 43.579 quilómetros”, utilizando para o efeito “viaturas que garantem o adequado cumprimento da missão”.

O resumo

A alegação de que a viatura está para reparação é verdadeira. Recusando adiantar há quanto tempo está o veículo de alta-cilindrada na oficina, a GNR assevera que o transporte de órgãos não foi posto em causa.