Covid-19. Infecções em pessoas vacinadas não significam que vacinas não funcionem, sublinham autoridades europeias

ECDC e EMA incentivam “fortemente” as pessoas que já são elegíveis para a vacinação e que ainda não foram vacinadas a iniciar este processo em “em tempo útil”. E dizem que os riscos da covid-19 não desaparecerão enquanto uma maior proporção da população não estiver vacinada.

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Sri Lanka EPA/CHAMILA KARUNARATHNE

O aumento da circulação da variante Delta nos países da União Europeia (UE) está, nesta altura, a preocupar as autoridades de saúde, que incentivam “fortemente” as pessoas que já são elegíveis para a vacinação e que ainda não foram vacinadas a iniciar este processo em “em tempo útil”.

Em comunicado conjunto divulgado esta terça-feira, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) e o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) dizem que o aparecimento de casos de infecções em pessoas vacinadas não significa que as vacinas não funcionem, e alertam que estes continuarão a acontecer enquanto uma fatia maior da população da UE não estiver vacinada.

Segundo as autoridades europeias, a vacinação completa com qualquer uma das vacinas aprovadas na UE oferece um alto nível de proteção contra formas graves da covid-19 e contra a morte. Além disso, as vacinas também oferecem protecção contra as variantes do SARS-CoV-2, como é o caso da Delta, detectada pela primeira vez na Índia.

“O nível mais alto de protecção é alcançado depois de decorridos sete a 14 dias desde a administração da segunda dose da vacina”, dizem o ECDC e a EMA num comunicado divulgado esta quarta-feira. “A vacinação também é importante para proteger aqueles com maior risco de desenvolver doenças graves e de serem hospitalizados, reduzindo a disseminação do vírus e prevenindo o surgimento de novas variantes preocupantes”.

As duas autoridades sublinham que embora a eficácia das vacinas já autorizadas seja muito elevada, nenhuma chega aos 100% de eficácia, o que significa que é esperado um número limitado de infecções por SARS-CoV-2 entre pessoas que completaram o esquema de vacinação. Mas mesmo que estas infecções ocorram, as vacinas continuam a ser úteis na prevenção de formas de doença grave e na diminuição no risco de hospitalização por covid-19.

“Embora as vacinas disponíveis sejam altamente eficazes na protecção contra a covid-19 grave, o risco não desaparecerá até que uma proporção maior da população seja imunizada. Estamos a testemunhar um aumento de casos de covid-19 em toda a UE e as vacinas continuam a ser a melhor opção disponível para evitar um aumento de formas de doença grave e de óbitos”, diz Mike Catchpole, um dos principais cientistas do ECDC, citado no comunicado.

Já Fergus Sweeney, coordenador dos estudos clínicos da EMA, diz que enquanto o vírus continuar a circular, continuarão a ser detectados casos em pessoas vacinadas. “Isto não significa que as vacinas não estejam a funcionar. As pessoas vacinadas estão muito mais protegidas e todos devemos esforçar-nos para sermos totalmente vacinados quando tivermos essa oportunidade”.

O ECDC e a EMA dizem ainda que, à medida que as campanhas de vacinação ganham força na UE, pode ser aconselhável considerar a redução do intervalo entre a primeira e a segunda dose dentro dos limites autorizados, passo que esta terça-feira foi dado por Portugal quando a Direcção-Geral da Saúde (DGS) encurtou o intervalo entre as duas doses da vacina da Pfizer. As autoridades europeias dizem que esta medida pode ser especialmente eficaz no caso de pessoas de risco que ainda não completaram o esquema de vacinação.

E mesmo quando vacinados, as autoridades dizem que todos os cidadãos devem obedecer às regras sanitárias de cada país e continuar a usar máscaras e a respeitar o distanciamento social. Em Portugal, 69% da população elegível para a vacinação já tem pelo menos uma dose de uma das vacinas e 57% receberam as duas doses (ou uma dose no caso da vacina da Janssen).