Mercado automóvel regista mês de Julho ainda pior do que no ano passado

Eléctricos, híbridos plug-in e híbridos sem ficha representam 28,8% das vendas de ligeiros e passageiros em Julho de 2021.

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Paulo Pimenta (arquivo)

Após um trimestre de crescimento, o mercado automóvel voltou às quebras. Os dados de Julho da Associação Automóvel de Portugal (ACAP) mostram que as vendas no sétimo mês de 2021 foram ainda piores do que em Julho do ano passado. É a primeira vez que as vendas mensais em 2021 registam uma variação homóloga negativa fora de um período de confinamento total.

No mercado de ligeiros (passageiros e comerciais), que representou 97,5% das vendas do mês passado em Portugal, a variação mensal homóloga face a 2020 foi negativa em 21,4%. Tal significa menos 3793 carros matriculados do que em Julho do ano passado. 

Em termos nominais, a quebra nos ligeiros de passageiros foi de 2886 unidades, mais do que o recuo de 906 veículos nos comerciais ligeiros. Em percentagem, dada a dimensão diferente dos mercados, o dos ligeiros de passageiros apresenta uma quebra de 19%, menos expressiva do que no dos comerciais ligeiros, que recua 35,9%.

A Peugeot continua a liderar a tabela nacional de vendas, ao fim de sete meses. Não foi a marca que vendeu mais em Julho (essa foi a Renault, com 1172 novas matrículas, mais 64 do as 1108 da Peugeot), mas no cômputo geral de 2021 até aqui, a “marca do leão” tem uma ligeira vantagem com 11,34% de quota de mercado, a que correspondem 10.633 unidades vendidas. A segunda é a Renault, que há anos era a líder nacional, que desta feita ficou com uma quota de 10,88%, correspondente a 10.204 carros vendidos em Portugal desde Janeiro.

A sul-coreana Hyundai é a que consegue o maior ganho em quota de mercado desde o início do ano. Passou a ter 4,71% do mercado, saltando para o nono lugar da lista com um ganho de 1,03 pontos percentuais que lhe permitiu ultrapassar concorrentes como a Opel, Ford, Nissan e a outra marca “da casa”, a Kia.

Desde Janeiro, a Hyundai já vendeu mais 51,8% (para 4413 veículos) do que em igual período de 2020. Neste aspecto, só é ultrapassada por três marcas que, no entanto, vendem menos: a Kia (mais 55,9% para 2930 veículos), a Skoda (sobe 87,8%, para 1128 veículos) e a Jeep (+54,8% para 545 unidades)

Em Julho o crescimento homólogo mais expressivo pertenceu à Skoda, cujas vendas mais do que duplicaram (mais 109,3% para 247 unidades).

Os construtores alemães BMW e Volkswagen são duas das marcas de topo com melhor desempenho este ano, ao contrário da Mercedes, que apresenta vendas estagnadas (uma pequena quebra de 0,9% desde Janeiro).

Por tipo de combustível, a gasolina continua a ser a opção maioritária, mas com uma variação negativa. Em Julho representa 45,5% das compras quando em Junho tinha 49,6% do mercado de ligeiros de passageiros. Pelo contrário, o motor diesel ganhou um pequeno alento: está em 19,1% dos carros vendidos em Julho, contra 18,6% em Junho.

Num mercado em queda, os híbridos sem ficha eléctrico/gasóleo e os híbridos não eléctricos foram as únicas motorizações com mais vendas em Julho face ao mês precedente.

Os 100% eléctricos recuaram um pouco mais do que os híbridos eléctricos com ficha (plug-in). Mas no cômputo geral, o que se pode dizer do mercado nacional de ligeiros de passageiros é que, ao fim do sétimo mês do ano, a gasolina é o combustível preferido com uma quota acima dos 46%; o diesel continua a perder peso (22,9% de quota); eléctricos, híbridos plug-in e híbridos convencionais continuam de um modo geral a crescer, representando 28,8% das vendas de Julho (contra 28,4% em Junho).