Ocon dá vitória à Alpine, Hamilton recupera liderança do Mundial

Campeão do mundo teve tudo para somar o 100.º triunfo, mas uma decisão errada atirou-o para o último lugar, de onde partiu à conquista do pódio, deixando Verstappen para trás.

Carro de Fórmula Um
Fotogaleria
Esteban Ocon (Alpine) garantiu primeiro triunfo da carreira na Hungria EPA/Zoltan Balogh
motores,desporto,automobilismo,formula-1,
Fotogaleria
Lando Norris não evitou a colisão com Verstappen Reuters/PETER KOHALMI
motores,desporto,automobilismo,formula-1,
Fotogaleria
Valtteri Bottas esteve na origem do acidente que marcou o GP da Hungria Reuters/PETER KOHALMI
motores,desporto,automobilismo,formula-1,
Fotogaleria
Charles Leclerc ficou fora de combate na primeira curva de Hungaroring EPA/Szilard Koszticsak
motores,desporto,automobilismo,formula-1,
Fotogaleria
Bottas terminou a corrida no final da recta da meta Reuters/PETER KOHALMI

O francês Esteban Ocon venceu este domingo o Grande Prémio da Hungria em Fórmula 1, alcançado a primeira vitória da carreira e da Alpine, ao bater o tetracampeão alemão Sebastian Vettel (Aston Martin) por 1,859 segundos e Lewis Hamilton por 2,736s.

Vettel seria posteriormente desqualificado, por insuficiente quantidade de combustível para recolha de amostra, e a classificação alterada, com Hamilton a “herdar” o segundo lugar e Carlos Sainz (Ferrari) o terceiro. Todos os pilotos foram promovidos, com Kimi Räikkönen (Alfa Romeo) a entrar nos pontos. 

Nesta conformidade, Lewis Hamilton (Mercedes) - que falhou, por culpa própria, o 100.º triunfo da carreira e quinto da temporada, recuperando, ainda assim, a liderança do Mundial - viu a vantagem para Max Verstappen (Red Bull) aumentar de cinco para sete pontos (194 contra 187). Isto, depois de ter chegado à Hungria a oito pontos do holandês, que em dois Grandes Prémios viu o inglês ganhar-lhe 41 pontos. 

A chuva, que obrigou os pilotos a mudarem para pneus intermédios - e mais um mau arranque de Valtteri Bottas (Mercedes) - lançou o caos na primeira curva, com o finlandês a falhar a travagem e a “abalroar” Lando Norris (McLaren), que lhe ganhara a posição na partida.

O piloto inglês foi projectado contra Max Verstappen, enquanto Bottas arrastava Sergio Pérez (Red Bull) para a desistência, com Hamilton a escapar ileso, enquanto Lance Stroll (Aston Martin) colocava o Ferrari de Charles Leclerc fora de combate.

A corrida seria interrompida, sendo retomada com a pista seca, o que motivou um erro crasso de avaliação da Mercedes, vítima de um dilema terrível. Os pilotos ainda saíram para a pista de intermédios, para regressarem de imediato às boxes e montarem médios. Todos excepto Hamilton.

Um erro tremendo da Mercedes, já que o inglês, o único a partir da grelha (num momento caricato), só conseguiu uma vantagem de cinco segundos para George Russell (Williams), líder do pelotão saído do pit lane.

Hamilton teve que render-se e montar médios no final da volta, caindo para último e perdendo a impressionante vantagem que tinha sobre Verstappen, já que o holandês retomava a prova em 12.º e passava, assim, a poder fazer uma corrida totalmente diferente.

Incólumes, Esteban Ocon, Sebastian Vettel, Nicholas Latifi (Williams), Yuki Tsunoda (AlphaTauri) e Carlos Sainz (Ferrari) assumiram, por esta ordem, o comando de uma corrida peculiar, com os grandes favoritos relegados para a cauda do pelotão a lutarem para entrar nos pontos.

A frustração de Hamilton era notória, levando o campeão do mundo, que teve o triunfo e a liderança do campeonato na mão, a repensar toda a estratégia.

Hamilton, que no final revelou estar a lutar contra uma fadiga anormal, suspeitando serem ainda sequelas da covid-19 - acabaria por beneficiar de uma segunda ida às boxes, para montar duros, saindo à frente de Verstappen, que também foi chamado para trocar de pneus. Com esta “manobra” o Mercedes ascendeu a nono, enquanto Verstappen saía dos pontos, baixando a 12.º de novo, para uma luta inglória que terminaria com a conquista de um ponto, depois transformado em dois com a exclusão de Vettel.

Os danos provocados pelo embate com Norris no Red Bull do holandês também não ajudaram Max a acompanhar o ritmo de Hamilton, que a meio da prova já rodava no quinto lugar e virtualmente na liderança do Mundial de pilotos.

Quando perseguia Carlos Sainz, para entrar no pódio, o britânico teve que regressar às boxes para o assalto final, com a liderança a cerca de 2o segundos, mas com quatro adversários à frente para chegar ao nono triunfo em Hungaroring.

A luta com Fernando Alonso (Alpine) foi tremenda e atrasou a chegada de Hamilton ao pódio, garantida ao passar Sainz naquele que foi o último Grande Prémio antes da paragem de Verão, e que marcou o regresso da Williams aos pontos, com dois pilotos.

Tal como em Silverstone, a Red Bull voltou a impedir Hamilton de somar o ponto extra pela volta mais rápida, reclamada pelo AlphaTauri de Pierre Gasly.