O italiano Marcell Jacobs é o novo rei da velocidade olímpica

Surpreendente vitória do transalpino na final dos 100m em Tóquio, com 9,80s.

toquio-2020,desporto,jogos-olimpicos,atletismo,
Fotogaleria
Reuters/PAWEL KOPCZYNSKI
toquio-2020,desporto,jogos-olimpicos,atletismo,
Fotogaleria
Reuters/ALEKSANDRA SZMIGIEL
toquio-2020,desporto,jogos-olimpicos,atletismo,
Fotogaleria
Reuters/LUCY NICHOLSON
toquio-2020,desporto,jogos-olimpicos,atletismo,
Fotogaleria
Reuters/PETER JEBAUTZKE
Fotogaleria
Reuters/PHIL NOBLE

Marcell Jacobs é o novo campeão olímpico dos 100m, o homem mais rápido do mundo em 2021. Na final da prova-rainha da velocidade, em Tóquio, o italiano surpreendeu a concorrência, fechando o percurso em 9,80s e arrebatando o ouro com autoridade, com uma margem de quatro centésimos.

A prova, no Estádio Olímpico, começou com uma falsa partida que valeu a desqualificação ao britânico Zharnel Hughes e a segunda tentativa foi imaculada. Jacobs saiu muito bem e teve no norte-americano Fred Kerley o principal rival desde os metros iniciais. O italiano aguentou a ponta final do rival e cortou a meta na frente.

O pico de velocidade do italiano nascido há 26 anos em El Paso, Texas, foi atingido à passagem dos 90 metros, com 43,4 km/h. Uma proeza para qualquer atleta e ainda mais para alguém que fez boa parte do percurso na alta competição no salto em comprimento - ganhou os Jogos do Mediterrâneo de sub23 em 2016 nesta disciplina.

Em Tóquio, o pódio dos 100m teve direito a três recordes pessoais. Para além dos 9,80s de Jacobs e dos 9,84s de Kerley, os 9,89s do canadiano Andre de Grasse também são uma melhor marca. De resto, foi globalmente uma prova mais rápida do que a do Rio de Janeiro, em 2016, onde Usain Bolt renovou o título com 9,81s (Justin Gatlin foi segundo, com 9,89s, e De Grasse novamente terceiro, mas com 9,91s).

O recorde do mundo, esse, continua a ser pertença de Bolt, depois de o jamaicano ter feito 9,58s nos Mundiais de 2009, em Berlim. Mas se essa proeza deixou o mundo do desporto boquiaberto, a façanha de Jacobs, neste domingo, também teve o seu quê de surpreendente. Já neste ano, no Mónaco, tinha obtido 9,99s, e em Maio, em Savona, atingiu mesmo os 9,95s, estabelecendo o recorde de Itália na distância.

Filho de mãe italiana e pai americano, Marcell viveu nos EUA cerca de um ano, tendo inicialmente assentado arraiais, com a mãe, na pequena comuna de Desenzano del Garda, na Lombardia. Foi lá que, aos 10 anos, se iniciou no atletismo, mas seria em Roma, onde hoje reside, que se afirmaria em definitivo. Começou por se dedicar à velocidade, acrescentando competências no comprimento em 2011, disciplina na qual se sagraria campeão italiano, em 2016.

A evolução no domínio da velocidade tem, porém, conhecido outro ritmo nos anos mais recentes. Já em 2021, ganhara os Europeu indoor (60m), em Torun, e conquistara uma medalha de prata nos Mundiais de estafeta (4x100m), em Chorzow. Agora, deu um passo em frente. E que passo. Um daqueles que não se apagam da história. 

“É um sonho que eu tinha desde criança, chegar à final dos Jogos Olímpicos. E aqui estou. Não sei quando é que conseguirei assimilar tudo isto, talvez dentro de uma semana”, reagiu o vencedor, citado pelo jornal La Gazzetta dello Sport. “Não tinha nada a perder e quando vi ‘Gimbo’ a ganhar o ouro, minutos antes, fiquei realmente entusiasmado. Pensei: ‘Por que razão não posso fazê-lo também’”, prosseguiu.

“Gimbo” é, na verdade,  Gianmarco Tamberi, compatriota que tinha acabado de partilhar o título no salto em altura com o qatari Mutaz Barshim quando Marcell Jacobs entrou em pista. E que se apressou a ir abraçá-lo assim que cortou a meta, num dia absolutamente inesquecível para o atletismo italiano.

Foi um daqueles momentos em que um desportista de alta competição se sente imparável. Até porque, pouco antes, na terceira meia-final dos 100m, Jacobs já tinha renovado o recorde da Europa, da autoria de Francis Obikwelu e Jimmy Vicaut, ao correr em 9,84s. O simples facto de ter retirado ainda quatro centésimos a esse registo, na hora da verdade, é simplesmente notável. 

“Tudo isto se deve ao meu staff, ao meu mental coach, porque por várias vezes, em momentos importantes, acontecia-me um black out”, revelou. O problema parece ultrapassado. O problema e toda a concorrência.