Vacina obrigatória para algumas profissões? “Esta questão tem de ser colocada”

Maria do Céu Patrão Neves é professora catedrática de Ética. Defende que o acesso a testes deve ser gratuito, nos casos em que estes são um meio alternativo ao certificado digital de vacinação no acesso a determinados locais ou serviços. Só assim, entende, o certificado não será um factor de discriminação.

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Paulo Pimenta

O certificado de vacinação, que começou por ser apresentado como um facilitador nas deslocações na União Europeia, está a ter a sua utilização cada vez mais alargada: depois dos restaurantes e alojamentos turísticos, será agora também exigido, em alternativa a um teste negativo, em ginásios, termas e spas. Isto pode ser um factor de discriminação?
De facto, o certificado como único meio para aceder a determinados espaços seria, e pode ser, considerado como discriminatório, se não houver alternativa, mas há o teste. A questão é que a partir do momento em que o teste não é gratuito, já torna o processo discriminatório. Se me vacinar, tenho o certificado e acesso livre, mas as pessoas que não foram vacinadas, terão de fazer um teste e pagar pelo teste, e ao terem de pagar estão numa situação de desigualdade para as outras. É este o único factor discriminatório.