A máquina do preto e branco

Pobre mundo em que vive esta gente viciada nas redes, mundo triste e solitário, enclausurado em boiões de vinagre e uma gigantesca insegurança na covardia do anonimato ou no conforto da tribo.

Um dos factores do empobrecimento do debate público, trazido pelas chamadas “redes sociais”, mas não só, é o funcionamento em pleno da máquina a preto e branco. Para o debate político e cívico, só há duas componentes que ganham em ser colocadas a preto e branco: uma é do domínio ético, é justo ou injusto; e outra do domínio factual, é verdade ou mentira. E mesmo nestes casos há muita coisa em cinzento que torna estas excepções difíceis de usar e fácil abusar delas. Fora disso, fora das fotografias artísticas, o preto e branco é tóxico e faz mal à cabeça. Cuidem-se para não se deixarem formatar.