As dúvidas existenciais de um dragão

Adoptado por rouxinóis, Lorenzo não sabe cantar nem voar. Quer ser igual aos pais, mas terá de descobrir o seu talento. Ninguém disse que era fácil.

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Zeka Cintra
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O poeta que fingia
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“O Dragão Trapalhão”, edição da Minotauro (Edições Almedina)

Um ovo grande perdido na floresta é encontrado e protegido por um casal de rouxinóis, Amália e Pavaroti. Dele sairá um dragão trapalhão, mas ainda assim sempre acarinhado pelos pais adoptivos, que lhe deram o nome Lorenzo.

A autora do texto, Isabel Ricardo, quis abordar “o tema da adopção, da diferença e da descoberta de que todos somos importantes”, disse ao PÚBLICO, via email. E explica como lhe surgiu esta história, que pretende demonstrar que “pode haver famílias de coração”: “O Dragão Trapalhão surgiu-me no regresso de uma escola, depois de um dia cheio. Faço muitas sessões de incentivo à leitura em escolas e bibliotecas, e o contacto com a pequenada transmite-me sempre muita energia e inspiração. E a história foi surgindo e ganhando forma de tal maneira que, quando cheguei a casa, os rouxinóis Amália e Pavaroti já eram reais. O nome Lorenzo foi inspirado no nome do filho do ilustrador.”

Zeka Cintra deu forma às personagens e à floresta num registo colorido e divertido, adequado à narrativa e a fazer lembrar cinema de animação. Não é a primeira vez que os autores trabalham em conjunto. “Um sentimento de empatia e admiração mútua converteu-se numa bonita amizade desde o primeiro livro em que colaborámos — e já lá vão quatro —, transformando-se numa simbiose feliz e penso que isso está bem patente neste livro”, conta a escritora.

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Zeka Cintra

O ilustrador, natural de São Paulo (Brasil), formou-se em Artes Plásticas pela UESL-Joboticabal. Zeka Cintra divide-se entre o trabalho digital, como o que apresenta neste livro, e o tradicional (analógico), com aguarelas, acrílicos, lápis de cor, tinta de óleo e pastel. “Tem como filosofia de trabalho fazer tudo com muita emoção e profissionalismo, pois sabe que o restante será consequência de tudo isso”, pode ler-se no site Who.

Isabel Ricardo procura, nos livros que escreve, “não descurar a componente pedagógica e que as histórias tenham alguma profundidade, principalmente nas que se destinam aos mais novos”. Assim, faz por lhes transmitir valores humanos que considera importantes, “a tolerância, o direito à diferença, a cooperação, a inclusão, a verdadeira amizade, o respeito pelos outros (sejam eles pessoas, animais ou a própria natureza), a solidariedade, a generosidade, etc”.

A autora, que na infância desejava ser “escritora e detective”, acredita que este livro pode ser trabalhado em sala de aula, já que contém vários temas que considera adequados ao pré-escolar e ao 1.º ciclo. O seu objectivo principal “é cativar os mais novos para a leitura, porque a leitura é a base da aprendizagem”, diz. “Além disso, desperta a imaginação, estimula a inteligência e desenvolve outras capacidades importantes na nossa vida. Tento sempre proporcionar-lhes o encanto e o entusiasmo que eu sentia. Para mim, a melhor coisa do mundo era ter um livro nas mãos.”

Um livro, segundo Isabel Ricardo, “deve ser divertido, emocionante, cativante e transmitir algo importante”. Mais: “Se pudermos associar o prazer da leitura à aprendizagem de outro assunto, isso é excelente!

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Zeka Cintra

Escreveu o seu primeiro livro de aventuras aos 11 anos, mas teve de esperar 16 para conseguir chegar às bancas. “Fui persistente, tal como este dragãozinho, que nunca desistiu de aprender a voar. Hoje, sinto-me realizada por fazer aquilo que adoro e continuar a concretizar os meus sonhos. Tal como o Lorenzo, tento sempre desafiar-me e superar-me em cada nova criação literária.”

O dragão Lorenzo acabará por encontrar o seu papel no mundo, aprender a usar o fogo para benefício de todos e ser menos trapalhão…

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