Robôs, câmaras e algoritmos — as outras estrelas de Tóquio

Máquinas humanóides, roupa inteligente, plateias virtuais e câmaras que lêem o batimento cardíaco são exemplos da muita tecnologia usada para ajudar os atletas.

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Os robôs têm atraído bastante atenção Kim Kyung Hoon/Reuters

Os Jogos Olímpicos de Tóquio são também uma montra de tecnologia. Ao longo dos últimos dias, viram-se robôs a atirar ao cesto nas pausas de competições de basquetebol, atletas com casacos que trazem ventoinhas embutidas, carros autónomos, câmaras que lêem o batimento cardíaco de cada desportista, e muitos — muitos — robôs. Tudo transmitido a alta definição (4K HDR).

Apesar das plateias do estádio Olímpico estarem vazias, os atletas conseguem ver, literalmente, os fãs a aplaudir de casa através da plataforma Cheer Tóquio que permite aos fãs de cada país enviar pequenos vídeos. As gravações são partilhadas, também, com estações televisivas a fazer a cobertura do evento. “Com a ausência de fãs nas plateias, a OBS [Serviços de Transmissão Olímpica, em Inglês] percebeu que tinha de pensar fora da caixa”, justificou Yiannis Exarchos, presidente executivo da OBS numa entrevista para o Guia Olímpico. “Queríamos que os fãs fossem parte dos jogos.”

O PÚBLICO compilou algumas das novidades de tecnologia dos jogos.

Robôs que jogam e limpam

As máquinas humanóides da Toyota têm roubado grande parte da atenção dos fãs. O projecto robô é uma iniciativa anunciada já em 2019 para utilizar máquinas desenvolvidas pela tecnológica japonesa, patrocinadora oficial dos jogos. Este ano é possível ver o FSR (uma espécie de carro em miniatura, com um sensor que lembra uma cartola) a deslizar pela arena para recolher material em campo — com a pandemia da covid-19, há a vantagem adicional de reduzir o contacto entre pessoas.

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O FSR (Field Support Robot, na sigla inglesa) tem ajudado a recolher material da arena Issei Kato/Reuters

Enquanto uns trabalham, outros robôs, jogam: durante o fim-de-semana, os espectadores do jogo de basquetebol entre os Estados Unidos e a França puderam ver o CUE, um robô com mais de dois metros a encestar do meio campo — uma habilidade que foi programado para fazer com 100% de precisão por uma equipa de engenheiros Toyota nos tempos livres.

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O Cue, um robô que usa inteligência artificial para jogar basquetebol, demonstrou os seus talentos em Tóquio Toyota

"Ver” o coração a bater com dados biométricos

A tecnologia Olímpica também se faz notar nos detalhes sobre as pontuações dos participantes nas provas de atletismo. Segundo a OBS, as tecnológicas Intel e Alibaba juntaram-se para criar um sistema, em 3D, que usa câmaras, inteligência artificial e visão computacional para seguir os movimentos dos atletas. É isto que permite perceber, por exemplo, em que momento de uma prova um atleta atingiu o pico de velocidade.

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A Panasonic está demonstrar como tecnologia contactless pode ser usada para medir o batimento cardiáco dos atletas à distância OBS

Outras câmaras estão a ser utilizadas para captar detalhes biométricos. Nas provas de tiro ao arco, os atletas estão cercados por quatro câmaras, da Panasonic, que captam ligeiras alterações na cor da pele que indicam a contracção dos vasos sanguíneos. Desta forma, os espectadores têm acesso a informação como o batimento cardíaco dos atletas.

Casacos que arrefecem como computadores

Várias das equipas nacionais levaram wearables (pequenos aparelhos com que nos podemos equipar). Os norte-americanos que participaram na cerimónia de abertura dos jogos por exemplo, levaram casacos com a tecnologia RL Cooling, desenvolvida pela Ralph Lauren. Há um pequeno sensor na gola do casaco que detecta a temperatura corporal do utilizador e é capaz de emitir uma lufada de ar frio sempre que for necessário. O dispositivo, alimentado por uma bateria, funciona de forma semelhante às ventoinhas dos computadores.

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Os norte-americanos que participaram na cerimónia de abertura dos jogos Olímpicos levaram um casaco que arrefecia automaticamente para ajudar com o calor Jeenah Moon/Reuters

A equipa chinesa de boxe exibiu ténis da Anta, criados com impressoras 3D, que se ajustam perfeitamente ao pé de cada atleta.