Magnata chinês crítico de Pequim condenado a 18 anos de prisão

Sun Dawu é próximo de dissidentes políticos chineses e tem criticado várias políticas do Governo chinês. Vários grupos e observadores acreditam que a sentença é uma retaliação pelas posições críticas do empresário.

Foto
As autoridades chinesas deslocaram-se em 2019 a uma quinta de Sun Dawu, afectada pela peste suína africana. O encobrimento do surto foi criticado por Dawu HALLIE GU/Reuters

Um magnata chinês do sector rural, que gere um dos maiores negócios agrícolas privados do país, na província de Hebei, foi condenado a 18 anos de prisão por um conjunto de crimes que incluem “provocar distúrbios”. Os observadores acreditam que o caso tem motivações políticas.

Num julgamento que decorreu à porta fechada em Gaobeidian, perto de Pequim​, Sun Dawu foi acusado de vários crimes, que incluiram “provocar distúrbios” – uma acusação usada a amiúde contra activistas –, “reunir uma multidão para atacar órgãos estatais” e “obstruir a administração governamental”. Além da pena de prisão, terá de pagar uma multa no valor de 3,11 milhões de yuan (405 mil euros, aproximadamente). Para a defesa “este não foi um julgamento normal”, tendo em conta o tratamento e a rapidez com que o caso decorreu. 

O empresário de 67 anos gere um grupo de suinicultura e agricultura. À medida que a empresa foi crescendo, foi cultivando uma imagem de generosidade: criou uma vila em torno da empresa e providenciou serviços aos funcionários, de saúde, educação e actividades de entretenimento.

Sun Dawu tem sido, por outro lado, crítico do Governo chinês, nomeadamente em relação à gestão da pandemia, ao encobrimento de um surto de peste suína africana em 2019, a questões relacionadas com direitos humanos e tópicos politicamente sensíveis. É, ainda, apoiante e próximo de dissidentes políticos chineses. Também já tinha sido condenado em 2003, por “angariação ilegal de fundos”, mas o caso foi anulado depois de ter recebido um grande apoio de activistas e do público. 

Dawu foi detido a 11 de Novembro de 2020, devido a uma disputa relacionada com uma quinta gerida pelas autoridades chinesas, juntamente com outras 20 pessoas, entre elas a mulher, os dois filhos e respectivas esposas. Numa declaração, Dawu denunciou o tratamento que causou miséria para além das palavras” durante o tempo que esteve detido, tornando “a vida pior do que a morte”, o que, refere, o levou a admitir falsas acusações.

Segundo a plataforma chinesa China Change, Sun Dawu rejeitou muitas das acusações e considerou-se um “excepcional membro do Partido Comunista Chinês”. Ainda assim, admitiu cometer alguns erros, nomeadamente a publicação de mensagens online e outros erros relacionados com a “questão do terreno”.

Vários grupos, incluindo o Chinese Human Rights Defenders (CHRD), afirmam que a acusação parece ser uma retaliação pelo longo apoio e proximidade de Dawu com dissidentes chineses. “Quando o Governo viola as suas próprias leis para silenciar pessoas que têm meios para apoiar compromissos de justiça social e de prestação oficial de contas, isso enfraquece profundamente a vitalidade da economia da China e as promessas dos seus líderes de governar segundo a lei”, disse no início do julgamento de Dawu Ramona Li, investigadora do CHRD, citada pelo Guardian.

Dawu não é o único empresário a ser acusado pelas autoridades chinesas. Várias empresas também estão no radar de Pequim. Nos últimos meses, vários negócios privados e empresários têm sido investigados, nomeadamente de grandes empresas tecnológicas como o Ant Group, Alibaba, Didi e Tencent.

A sentença de Dawu é semelhante à aplicada a outros empresários. A mais recente data do ano passado, quando Ren Zhiqiang foi condenado a 18 anos de prisão por chamar “palhaço” ao Presidente Chinês, Xi Jinping.