Confiança dos consumidores caiu em Julho e está pior do que no início da pandemia

Clima económico baixa, mas não tanto como a confiança dos consumidores. Empresários da restauração e alojamento estão menos optimistas.

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A confiança diminuiu na restauração, alojamento, serviços de comunicação e actividades administrativas Paulo Pimenta

Depois de recuperar entre Março e Maio e mesmo “de forma ténue” em Junho, a confiança dos consumidores portugueses recuou neste mês de Julho e está agora, nesta quarta vaga, num “nível inferior ao observado no início da pandemia”, em Março de 2020, indicou o Instituto Nacional de Estatística (INE) nesta quinta-feira.

Também o indicador de clima económico das empresas diminuiu este mês, embora se mantenha num nível superior ao de Março do ano passado, por altura da primeira vaga do novo coronavírus SARS-CoV-2 em Portugal.

O que leva os consumidores a estarem menos optimistas, e agora ainda menos do que nessa altura, tem sobretudo a ver com as expectativas em relação à evolução futura da situação económica do país.

Foi isso que, segundo o INE, mais pesou para que o retrocesso na confiança de Junho para Julho. Mas também influenciaram “as perspectivas relativas à evolução futura da situação financeira do agregado familiar”.

“O saldo das expectativas relativas à evolução futura da situação económica do país diminuiu significativamente em Julho, após os aumentos expressivos registados entre Março e Maio, e a ligeira diminuição observada em Junho”. No caso da avaliação sobre evolução da situação financeira familiar já se registara uma quebra em Junho, “depois dos aumentos observados nos quatro meses anteriores”, ou seja, desde Fevereiro.

A análise do INE agora divulgada baseia-se, como o próprio instituto faz questão de sublinhar, em “séries dos valores efectivos mensais e não em médias móveis”, como era habitual, porque esta metodologia, diz, “permite uma identificação mais clara dos movimentos de muito curto prazo, particularmente relevante no contexto de agravamento dos impactos da pandemia”.

Do lado dos empresários, a confiança diminuiu em todas as actividades económicas onde o INE faz inquéritos de conjuntura, da indústria transformadora, à construção e obras públicas, passando pelo comércio e serviços.

A queda, nota o instituto, aconteceu sobretudo na indústria. No entanto, ao contrário do que se passa com a confiança dos consumidores, o clima do lado dos empresários está num patamar melhor do que no início da pandemia. Só a confiança dos empresários de construção e obras públicas, “que já tinha diminuído no mês anterior, se situa num nível inferior ao observado em Março de 2020”.

Também o indicador diário da actividade económica do Banco de Portugal mais recente mostra que, neste mês, na semana de 12 a 18 de Julho, esse índice diminuiu em relação à semana anterior, reflectindo o recuo no processo de desconfinamento em vários concelhos do país.

Perspectivas piores sobre vendas

A análise do INE permite ver que, no caso do comércio, a confiança aumentara em Março, Abril, Maio e Junho, mas, em pleno Verão e perante o agravamento da situação epidemiológica, a tendência inverteu-se.

Esta evolução, identifica o INE, resulta do contributo negativo das opiniões dos empresários do sector “sobre o volume de vendas e das perspectivas de actividade da empresa nos próximos três meses, de forma intensa no segundo caso”; só a avaliação sobre o volume de stocks contribuiu positivamente.

Mesmo as opiniões sobre o volume de vendas “deterioraram-se ligeiramente em Julho, após a recuperação acentuada verificada no mês anterior” e a avaliação sobre as perspectivas de actividade da empresa “diminuiu nos últimos dois meses, de forma expressiva em Julho”.

As perspectivas relativamente à evolução da procura e da carteira de encomendas fizeram baixar igualmente a confiança dos empresários dos serviços, incluindo no alojamento e na restauração, afectados pelas restrições.

Em Julho, refere o INE, “os indicadores de confiança diminuíram em três das oito secções dos serviços, designadamente nas secções de actividades de informação e de comunicação, de alojamento, restauração e similares e de actividades administrativas e dos serviços de apoio”.

Na construção e obras públicas, em que se registou uma quebra da confiança em Junho e Julho, a diminuição neste último mês “reflectiu o contributo negativo da componente de perspectivas de emprego, uma vez que o saldo das apreciações sobre a carteira de encomendas aumentou ligeiramente”, diz o INE.

É a opinião das empresas de engenharia civil e das actividades especializadas de construção que explica essa quebra, já que, em sentido contrário, na promoção imobiliária e construção de edifícios houve uma melhoria da confiança.

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