Rui Costa e a liderança do Benfica: “Tenho tempo para pensar se vou a eleições”

Presidente dos “encarnados” rejeita ter “excluído” Luís Filipe Vieira depois da detenção e congratula-se com um empréstimo obrigacionista concluído em circunstâncias difíceis.

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EPA/MIGUEL A. LOPES

Garante ter ficado “em choque” com a detenção de Luís Filipe Vieira, reitera que todos os passos que deu desde o início do processo Cartão Vermelho tiveram como único propósito defender o Benfica e assegura que não está a pensar nas eleições. Na primeira entrevista depois de ter assumido a presidência do clube e da SAD, Rui Costa rejeita ter-se demarcado do anterior líder: “Não houve intenção de excluir”.

“Fiquei perplexo. Jamais poderia esperar passar por aquela quarta-feira, que o dia acabasse como acabou. Foi uma emoção dramática naquele momento. Foi um choque”, descreveu Rui Costa, em declarações à TVI, admitindo que todo o elenco directivo levou tempo a reagir: “Parecia um filme a que não queríamos assistir”.

“Não houve tempo para pensar, apenas para analisar a situação e perceber que eu não podia recuar no compromisso com o Benfica. Na sexta-feira, eu acordo como director desportivo e acabo presidente do Benfica. Houve só o assumir de uma responsabilidade à qual eu não conseguiria nunca fugir, sobretudo num momento como este”, precisou.

O facto de, no discurso de apresentação, em pleno Estádio da Luz, ter passado ao lado do caso judicial que envolve Luís Filipe Vieira, é também desvalorizado por Rui Costa: “A obra de Luís Filipe Vieira no Benfica nunca será apagada por ninguém. Naquele momento, no meu discurso, a única coisa que se pretendeu foi defender o Benfica de uma forma intransigente. O facto de não ter sido referido Luís Filipe Vieira, não foi para o apagar da história, mas para mostrar que não havia um vazio. Não houve intenção de excluir, mas de defender os interesses do Benfica. Não estou arrependido disso, naquele momento o clube precisava de ser defendido”.

Mostrando a convicção de que Luís Filipe Vieira sabe que não há ingratidão da sua parte - “Uma coisa é a parte pessoal, outra é a direcção do Benfica” -, Rui Costa deixou também a garantia de que nunca se sentiu desconfortável com os documentos que assinou em conjunto com Vieira. “Em nenhuma circunstância pensei estar a assinar um documento que não fosse verdadeiro. Assinar um documento que me parecesse duvidoso, seguramente que não”​.

Sobre as suspeitas que um grupo de sócios levantou, junto do Conselho Fiscal, acerca de ligações pouco claras entre uma empresa de que Rui Costa é sócio e o universo Benfica, o actual líder dos “encarnados" fala em “canalhice”. “O Footlab não é uma casa de agenciamento de jogadores, é um espaço aberto ao público que tenho em Carnaxide, que serve para divertimento. Há uma coisa em que não conseguem tocar, que é a minha honra e a minha relação com este clube”, assinalou, convidando as pessoas a saberem mais sobre o projecto.

Quanto a eleições, que já foi anunciado que se realizarão até ao final do ano, Rui Costa foi evasivo em relação a uma eventual candidatura. “Neste momento a minha missão é trazer de novo a estabilidade ao clube e preparar as épocas desportivas, que estão à porta. Toda a gente que trabalha comigo nesta altura está proibida de me falar em eleições. Tenho tempo para pensar se vou a eleições”, anotou.

Sublinhando que se tiver de ser presidente do Benfica “um dia”, sê-lo-á por vontade expressa dos sócios, admite também rever os estatutos: “Temos de os adaptar à nova realidade, ao desejo dos nossos sócios, mas a prioridade neste momento é a época desportiva”, insistiu, congratulando-se ainda com o empréstimo obrigacionista, de 35 milhões de euros, que a SAD do Benfica conseguiu colocar no mercado.

“Não foi o melhor dos empréstimos que já fizemos, mas a conjuntura não permitiu que fosse o melhor. Pelas circunstâncias, tememos que não se conseguisse alcançar este resultado, mas com esforço e dedicação foi mais uma vitória. E foi especial, pelo momento que estamos a atravessar”.