Máscaras e distanciamento para manter quando há aglomerações de pessoas, defende perita

Proposta de alívio de restrições tem quatro fases (estamos na primeira). Consultora do Governo defendeu cautela até que a imunidade na população seja maior.

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Paulo Pimenta

As máscaras e o distanciamento físico quando há aglomerações de pessoas são para manter enquanto forma de prevenção da transmissão da covid-19 e estratégia com o objectivo de ganhar tempo para que a vacinação alcance maiores efeitos em termos de imunidade da população, disse esta terça-feira a pneumologista Raquel Duarte, da Administração Regional de Saúde do ​Norte e do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP).

A proposta da equipa de Raquel Duarte para a redução das restrições tem por base quatro níveis de implementação (o país está, actualmente, no nível um, ou seja, com cerca de metade da população com o esquema vacinal completo). O avanço entre fases deve basear-se na taxa de vacinação e o nível quatro do plano apresentado poderá implicar já a imunidade de grupo. 

Raquel Duarte apontou três regras fundamentais para todos os níveis: ventilação adequada dos espaços, utilização do certificado digital e a auto-avaliação de risco. 

Entre o nível um e o nível três, há medidas gerais:

  • trabalho remoto ou no exterior sempre que possível e o desfasamento de horários;
  • cumprimento da distância física;
  • máscara obrigatória em ambientes fechados e sempre em eventos públicos;
  • e evitar todas as situações não controladas de aglomeração populacional.

“A máscara [deve ser utilizada] em ambientes fechados, eventos públicos e sempre que não seja possível manter a distância preconizada”, lembra a especialista. “Reparem que, com estas medidas gerais, aquilo que propomos é que no sector escolar sejam cumpridas as medidas gerais e em termos de actividade laboral exactamente a mesma coisa.”

No nível um, o actual, as máscaras de protecção individual são para manter, avançou Raquel Duarte, propondo que possam ser retiradas nos espaços ao ar livre num momento em que se atinja o nível dois do plano que apresentou. A especialista notou ainda que a máscara deve, contudo, ser utilizada sempre que o distanciamento físico não possa ser cumprido. 

A especialista, que tem aconselhado o Governo nos planos de desconfinamento, insistiu na necessidade de maior ventilação nos espaços interiores e na promoção de actividades no exterior “quando possível”, bem como do teletrabalho.

“Cada vez mais temos que apostar numa ventilação e climatização adequada aos espaços interiores, particularmente se quisermos planear o Outono/Inverno”, sustentou Raquel Duarte, acrescentando que é necessária uma “responsabilização individual maior” à medida que caminhamos para uma vida normal. 

Mais pessoas por mesa nos restaurantes

Raquel Duarte não indicou eventuais alargamentos de horários no comércio e na restauração, que implica “maior risco, sobretudo em ambientes fechados”. Porém, admitiu que nos restaurantes possa aumentar o número de pessoas à volta de uma mesa.

A proposta dos especialistas é que seja privilegiada a permanência no exterior dos estabelecimentos dada a redução do risco de contágio por SARS-CoV-2. Já no interior a limitação de pessoas é para continuar, podendo ir de seis a oito pessoas por mesa “do nível um para o nível três”, como referiu a perita. 

Já no exterior o número aumenta no nível um, com dez pessoas na mesma mesa, e no nível dois com 15 pessoas por mesa. Por fim, no nível três prevê-se que não haja qualquer restrição de pessoas.

Nos grandes eventos exteriores em espaço delimitado, além das medidas gerais, a equipa de Raquel Duarte sugere que se mantenham circuitos de circulação de pessoas para garantir a distância. No caso dos convívios familiares, defende que se deve apostar nas medidas gerais (como o uso de máscara, o distanciamento, entre outras) e na auto-avaliação de risco.