Viagens dos portugueses ao estrangeiro recuam 89,5% no trimestre

Primeiros três meses do ano mantiveram o mesmo nível de decréscimo do que no final de 2020, mas confinamento e limitações nas viagens penalizaram mais os destinos estrangeiros. Março teve o primeiro crescimento em 12 meses

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Paulo Pimenta

Os residentes em Portugal realizaram, entre Janeiro e Março deste ano, 1,6 milhões de viagens, uma diminuição de 57,6% face a igual período de 2020 (em que Janeiro e Fevereiro foram pré-pandémicos). É quase igual à queda homóloga de 57,4% verificada no último trimestre de 2020.

As viagens que os residentes realizaram em território nacional representaram 97% do total das deslocações no período em análise. E, nestas, a redução homóloga – sempre face ao primeiro trimestre de 2020 – foi de 53,3%.

O que o Instituto Nacional de Estatística (INE) salienta também nos dados divulgados esta terça-feira é que o comportamento não foi igual nos três meses – período que compreendeu o Carnaval (a 16 de Fevereiro) mas não a Páscoa (que este ano foi celebrada no primeiro fim-de-semana de Abril).

Se é verdade que Janeiro de 2021 registou uma queda de 67,9% face a igual mês de 2020 e que Fevereiro teve uma queda de 71,8% face ao último mês sem pandemia de covid-19 oficialmente declarada, também é verdade que Março último registou um crescimento, de 23,9% face ao primeiro mês da pandemia mundial. Foi, destaca o INE, “o primeiro aumento dos últimos 12 meses (...) devido exclusivamente às viagens efectuadas em território nacional”.

Para o exterior, as viagens turísticas dos residentes em Portugal (que representaram então 3% do total das deslocações nos três primeiros meses do ano), recuaram 89,5%, para 46,8 mil viagens.

Apesar de terem voltado a ser penalizadas pelos efeitos das novas variantes da pandemia, por um novo confinamento em Portugal e por restrições às viagens entre países, a verdade é que as deslocações de residentes portugueses para o estrangeiro tiveram um desempenho “melhor” do que no trimestre anterior. O “melhor” é mesmo relativo: a queda no último trimestre de 2020, face ao mesmo período de 2019, tinha sido de 90% (num período que se caracteriza pelas férias de Natal e pausa do final do ano – uma época alta para alguns destinos turísticos).

Hotéis quase residuais

O que resultou também directamente da pandemia neste período foi o lugar onde os turistas com residência em Portugal dormiram. Entre Janeiro e Março deste ano, face iguais meses de 2000, verificou-se uma queda de 15,7 pontos percentuais do peso das dormidas em “hotéis e similares” no conjunto de dormidas registadas nas deslocações. Representou assim 5,5% do total, um sector que foi directamente afectado pelo confinamento decretado por causa do recrudescimento da pandemia no arranque deste ano. 

“O alojamento particular e gratuito” representou 88,7% das dormidas, com um aumento de 14,8 pontos percentuais, evolução inversamente proporcional ao da hotelaria no período em análise.