Pódio do street skate feminino é o mais jovem de sempre dos Jogos

A modalidade está em estreia nas Olimpíadas e já está a dar que falar: nos três lugares do pódio da prova feminina estão skaters com idades compreendidas entre os 13 e os 16 anos de idade.

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Momiji Nishiya tornou-se na mais jovem medalhista de ouro do Japão Reuters/LUCY NICHOLSON

No primeiro dia dos Jogos Olímpicos, uma menina de 12 anos da Síria que joga ténis de mesa teve o seu momento na ribalta por ser a mais nova de todos os atletas que estão a competir em Tóquio. No terceiro dia, é notícia a medalha de ouro de uma menina japonesa de 13 anos no street skate, e a medalha de prata de uma menina brasileira de 13 anos na mesma prova. E já dissemos que a medalha de bronze foi para uma adolescente de 16 anos?

O street skate está em estreia nos Jogos Olímpicos e já está a dar que falar, uma vez que as idades das medalhadas são, no mínimo, invulgares e… históricas. Com uma média de idades de 14 anos e 191 dias, o pódio feminino do street skate dos Jogos de Tóquio é o mais jovem pódio individual na história da competição.

Vamos a Momiji Nishiya. A atleta japonesa de 13 anos, que arrecadou a medalha de ouro, tornou-se a primeira campeã olímpica da modalidade e a mais jovem medalhada de ouro do Japão.

“Comecei a chorar, porque estava mais do que feliz”, afirmou Momiji Nishiya à Reuters, momentos depois de ter vencido o ouro.

Nishiya somou 15,26 pontos e bateu a concorrência de Rayssa Leal, também de 13 anos, que não foi além dos 14,64. A medalha de prata foi para a adolescente japonesa Funa Nakayama, de 16 anos, que obteve um total de 14,49 pontos.

A vitória de Nishiya juntou-se ao ouro de Yuto Horigome, que no passado domingo venceu a prova masculina da modalidade, tendo sido a primeira medalha de ouro olímpica para o street skate em Jogos Olímpicos.

Com a medalha de prata alcançada em Tóquio, a skater Rayssa Leal, de apenas 13 anos, também já escreveu o seu nome na história ao tornar-se a mais jovem medalhada brasileira, juntando este dado ao facto de ser a mais jovem representante do Brasil em Olimpíadas.

A medalha de bronze Funa Nakayama, de 16 anos, afirmou à Reuters que espera que o sucesso dos skaters nipónicos “incentivem mais jovens mulheres a praticarem a modalidade”. “Quero mais rivais. Isso vai tornar a competição mais divertida”, disse.

O número crescente de jovens na modalidade é um facto - na ronda final feminina, cinco das oito atletas eram adolescentes – e esse dado é visto como sendo positivo por atletas mais experientes. A skater norte-americana Alex Sablone, a atleta mais velha na prova feminina e que ficou em quarto lugar, afirmou à Reuters que esse é um sinal de que a indústria está “a levar as patinadoras mais a sério”.

“Skate proibido”

No Japão, os desentendimentos entre os skaters e o sector de segurança, bem como com a população no geral, são comuns. A modalidade é mesmo tida como “um incómodo público”.

Como exemplo do desagrado da população japonesa pelo facto de o skate se ter tornado um desporto olímpico, no passado domingo, foram espalhados vários cartazes onde se podia ler “Skate proibido”, ao longo da vedação do Parque Urbano Ariake, em Tóquio, onde as provas decorreram.

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Vários cartazes, onde se podia ler "Skate proibido", foram colocados na vedação do Parque Urbano Ariake, onde decorreram as provas de skate Simon Lewis/Reuters

Em declarações à Reuters, o skater norte-americano Nyjah Huston afirmou que ele e os restantes atletas estão apenas a fazer o seu trabalho. “Não estamos a tentar vandalizar ou a invadir como muitas pessoas nos vêem, estamos apenas a fazer o nosso trabalho e a divertirmo-nos muito”, disse.

O também skater norte-americano Jagger Eaton sublinhou que o skate é “uma forma de arte”. “O skate é muito mais do que um desporto, é uma forma de arte. É algo criativo e muitas pessoas não o vêem dessa forma, o que é lamentável”, afirmou.

Ironia do destino ou não, o vencedor da medalha de ouro da prova de street skate masculina – o primeiro da história dos Jogos Olímpicos na modalidade - foi o japonês Yuto Horigome, natural de Tóquio.