D. Isabel, uma rainha valente

Ajudou os desfavorecidos, lutou pela paz e acabou por ser reconhecida como santa. A história de uma rainha corajosa é o que se conta neste livro. Uma Isabel (Stilwell) a olhar para outra Isabel (de Aragão).

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Ana Oliveira
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,D. Teresa
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Capa do livro “Isabel de Aragão — A Nossa Rainha Santa”, edição da Planeta de Livros

“Todas as manhãs vou ver o meu avô a fazer a barba. Como o meu avô é rei, o todo-poderoso Jaime I de Aragão e de muitos lugares que conquistou aos mouros, não é ele que faz a barba a si próprio. Nem pensar.” Eis o tom que Isabel Stilwell consegue dar a um livro em que dá a conhecer aos mais novos a história de D. Isabel, que viria a ser rainha de Portugal.

O livro é um relato na primeira pessoa, uma “autobiografia” que revela desde pormenores do nascimento da menina, aos receios pelas idas do avô para sucessivas batalhas, às inquietações com o casamento com D. Dinis logo aos 12 anos, e que a trouxe para Portugal, ao interesse pela medicina e pelos desfavorecidos até às várias tentativas para promover a paz entre reis, irmãos e herdeiros de tronos.

Escrito numa linguagem acessível e simples, mas não pobre, Isabel de Aragão ­— A Nossa Rainha Santa ensina história de uma forma natural, pela voz de uma criança que se vai tornando adulta e depois envelhece. Sempre com muita coragem e valentia, mas também bondade.

A preocupação com os detalhes

Um livro que, não sendo “difícil de ilustrar”, segundo Ana Oliveira, “foi demorado, pela quantidade de informação histórica que tem e porque há detalhes que não podem escapar, como por exemplo o vestuário, o mobiliário e outras características da época que não podem ser deixadas ao acaso”, diz a ilustradora ao PÚBLICO. 

Formada em Arquitectura e dedicando-se exclusivamente à ilustração a partir de 2015, conta-nos “o imenso prazer” que foi “ilustrar este livro”: “Primeiro, porque nunca tinha ilustrado um texto com tantos detalhes históricos e, segundo, por ser talvez uma das rainhas mais queridas de todos nós. Numa altura em que se fala tanto da igualdade de direitos e do papel que as mulheres têm na sociedade, é importantíssimo que os mais pequenos também conheçam estas mulheres, tão emancipadas e que souberam usar tão bem o poder que tinham!”

Ana Oliveira, natural da Trofa, mas a residir no Porto, descreve como orientou o seu trabalho para este livro: “O meu primeiro foco foi essencialmente absorver tudo o que podia sobre a rainha Isabel II e que imagens existiam dela, para que a ilustração conseguisse reflectir tanto a fisionomia como a personalidade desta rainha. Como as ilustrações devem surgir naturalmente acompanhando o texto, só depois de decidir as imagens a ilustrar fiz a pesquisa sobre os eventos que nelas decorrem, como, por exemplo, perceber como era o interior do Palácio de Alzira, a Vila de Trancoso, Tarragona, locais descritos no livro e que exigem fiéis detalhes arquitectónicos para que possamos contextualizar estes acontecimentos e locais reais.” 

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Ana Oliveira

Liberdade artística e orientação histórica

Quisemos saber se os seus passos foram seguidos pelos outros intervenientes na produção do livro: “Deram-me muita liberdade criativa para trabalhar neste livro, o que é sempre um aspecto extremamente importante para o ilustrador, que tem de ter o seu papel de interpretação e criação salvaguardado.”

No entanto, agradou-lhe ter contributos da autora do texto: “Houve sempre um acompanhamento do processo por parte da editora e da autora, o que ajudou a que pudéssemos incluir alguns detalhes que, do ponto de vista dela, eram importantes destacar na história.” 

Sobre a técnica escolhida descreve: “As ilustrações foram essencialmente feitas a aguarela, a técnica de eleição no meu trabalho. Gosto posteriormente de misturar lápis de grafite ou de cor para criar texturas e detalhes.”

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No final do livro, há uma cronologia com os principais acontecimentos da vida de Isabel de Aragão: do nascimento em Saragoça (cuja data de 11 de Fevereiro de 1270 não é confirmada com toda a certeza) até à sua canonização pelo papa Urbano VIII, em 1625, momento em “que passou a ser conhecida como Santa Isabel de Portugal”.

A este livro junta-se outro também assinado pela jornalista e escritora Isabel Stilwell: D. Amélia – A Rainha Que Deixou o Coração em Portugal, ilustrado por Cátia Vidinhas. Diz a editora na divulgação: “Dois livros apaixonantes e divertidos, dedicados aos leitores dos 8 aos 12 anos sobre a história de duas mulheres fortes e que foram duas das rainhas mais queridas dos portugueses.”

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