Um terço de vacinas Janssen a chegar. Vacinas da AstraZeneca suficientes para usar e doar

A adesão à vacinação mantém-se elevada, apesar do ruído. O método de “casa aberta” vai ter sistema de senhas para evitar filas. O plano de vacinação prevê descanso de profissionais de saúde envolvidos.

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Rui Gaudencio

As farmacêuticas continuam a obrigar a ajustes permanentes. O coordenador do plano de vacinação contra a covid-19, Henrique Gouveia e Melo, revelou esta sexta-feira que em Agosto a Janssen entregará um terço das doses previstas, algo que já fez este mês. A AstraZeneca está a tentar compensar o atraso inicial, um excesso que reverte para a quota de doações.

Perante a Comissão Parlamentar de Saúde, o militar declarou que em Julho a Janssen “tinha prometido entregar 800 mil vacinas e entregou 260 mil”. Em Agosto deveria entregar cerca de 600 mil. “Tive a má notícia de que devem chegar cerca de 200 mil vacinas da Janssen.”

A Moderna e a Pfizer mantêm as entregas previstas. E a AstraZeneca até está a enviar agora mais do que o esperado, para “compensar” os seus atrasos. Só que, neste momento, estas vacinas já “têm pouca utilidade” em Portugal, uma vez que os maiores de 60 anos estão praticamente imunizados.

Segundo Henrique Gouveia e Melo, até agora mais de um milhão de pessoas receberam a vacina da AstraZeneca. Das 550 mil que encurtaram o intervalo entre doses, 72 mil ainda não levaram a segunda dose (não completaram as oito semanas ou, entretanto, tiveram covid-19).

As AstraZeneca sobrantes não serão desperdiçadas. Portugal comprometeu-se a doar até 900 mil doses até ao final do ano. Segundo o vice-almirante, já doou 220 mil e deve doar igual número para segundas doses. “A AstraZeneca é a vacina que temos usado para essas doações.”

Perante a diminuição de vacinas disponíveis para continuar o processo, Portugal negociou com a Noruega. Na quarta-feira, a ministra da Saúde já tinha dito que que o país receberá, nos próximos dias, mais doses de vacinas Pfizer cedidas por países “cujas campanhas de vacinação estão noutra fase”.

Adesão elevada

A adesão à vacinação mantém-se elevada, apesar do ruído nas redes sociais. Para já, só 2,5% da população respondeu “não” à mensagem recebida para agendar a vacina e só 2,7% faltou à marcação.

O vice-almirante não vislumbra qualquer “sintoma de falta de adesão às vacinas, mesmo nas faixas etárias mais novas”. Apesar disso, julga que “é preciso estar atento”. É um tema importante.”

Moisés Ferreira, do BE, alegrou-se ao ouvi-lo. “Isso mostra que havendo uma comunicação sincera com a população não é necessário embarcar noutras coisas, como a imposição da vacinação, que provavelmente até teria efeitos perniciosos”, comentou.

O militar recordou que há três maneiras das pessoas entrarem neste processo: agendamento através das unidades de saúde, que está a desaparecer, agendamento online e iniciativas de “casa aberta”, pensadas para resgatar pessoas de faixas etárias que estão quase todas vacinadas.

Senhas para “casa aberta"

O método de “casa aberta” tem sido usado para as segundas doses de AstraZeneca, o que “representava uma percentagem ínfima dos agendamentos diários”, mas contribuiu para a formação de filas. “Nos piores momentos, tivemos 7% dos centros de vacinação com mais de uma hora de espera”, assegurou, dizendo ser preciso compreender que é da natureza da imprensa mostrar o que está a correr menos bem.

Ainda assim, o vice-almirante admite que o método “casa aberta” é um tanto desordenado, pode criar longas filas. Procurando melhorá-lo, está a ser preparado um sistema de senhas que os centros de vacinação poderão atribuir para a modalidade mais livre de vacinação e que as pessoas poderão “captar por telemóvel”, aparecendo depois para a vacina, no horário definido.

A deputada Paula Santos, do PCP, chamou a atenção para a dificuldade que alguns têm enfrentado em fazer novo agendamento quando, por qualquer razão válida, falharam o primeiro. O responsável pelo grupo de trabalho explicou que a inscrição inicial se mantinha na base de dados para evitar duplo agendamento. Perante as queixas, fez-se um acerto no sistema. Ao fim de cinco dias, se a pessoa não for chamada, o seu nome é libertado e pode fazer novo agendamento. 

Férias de profissionais asseguradas

Gouveia e Melo foi ainda questionado sobre as dificuldades que têm sido enfrentadas por portugueses residentes no estrangeiro para se vacinarem em Portugal. “Temos feito o máximo que podemos, acelerando os processos e facilitando o controlo para não os empurra para fora do processo”, afirmou. Até agora foram vacinados 25 mil.

A deputada Ana Rita Bessa, do PP, introduziu a questão da mobilidade associada às férias. A esse respeito, o militar disse que gostaria de facilitar a vacinação, mas que seria impossível desmontar 300 centros de vacinação espalhados pelo país e concentrar “uma percentagem elevada no Algarve”. Considera que o intervalo entre a primeira e segunda dose é suficiente para cada um organizar a sua vida.

A mesma deputada quis saber das férias dos profissionais envolvidos, tendo Gouveia e Melo dito que tudo foi assegurado. “Quando calculámos os 4.700 elementos necessários das diversas especialidades para fazer este processo, calculámos com 20% de folga para uma vacinação de 100 mil pessoas [por dia] e capacidade para ir até ‘pico’” de 150 mil pessoas”, referiu. "As pessoas vão ter férias e descanso e vamos tentar gerir isso da melhor forma possível sem prejudicar o processo”.

De acordo com o último relatório semanal da Direcção-Geral da Saúde, quase metade da população portuguesa (47%) já tem a vacinação completa. E 64% receberam pelo menos uma dose da vacina.