Biden anuncia primeiras sanções contra responsáveis cubanos

Ministro da Defesa e unidade especial das forças de segurança são os primeiros alvos da Casa Branca, que acusa o regime cubano de oprimir a sua população.

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Manifestação em Miami contra o regime cubano MARIA ALEJANDRA CARDONA / Reuters

Os EUA anunciaram um pacote de sanções contra o ministro da Defesa de Cuba e contra uma unidade especial das forças de segurança, acusando-os de reprimir de forma violenta os protestos antigovernamentais do início do mês. O Presidente norte-americano, Joe Biden, diz que estas medidas são “apenas o princípio” da pressão de Washington sobre o regime.

As sanções decretadas pelo Departamento do Tesouro dos EUA incidem sobre o ministro da Defesa, Álvaro López Miera, e sobre a Brigada Especial Nacional, uma unidade armada especializada no combate ao terrorismo e a ameaças internas “contra-revolucionárias”. Os seus membros são conhecidos por usarem um uniforme negro.

A decisão mostra que Biden está apostado em intensificar a pressão diplomática sobre Cuba, rompendo com a estratégia de Barack Obama que ensaiou um degelo das relações entre os dois países. “Condeno inequivocamente as detenções maciças e os julgamentos simulados que estão a condenar à prisão injustamente aqueles que se atreveram a falar, num esforço por intimidar e ameaçar o povo cubano para que se cale”, afirmou Biden, através de um comunicado.

“O povo cubano tem o mesmo direito à liberdade de expressão e à reunião pacífica que todas as pessoas”, acrescentou o Presidente dos EUA.

A repressão dos protestos de dia 11, quando milhares de pessoas se manifestaram contra o Governo cubano por causa da escassez de alimentos, medicamentos e outros bens de primeira necessidade, deixou Biden sobre pressão para agir de forma mais contundente contra o regime de Havana. O Partido Republicano, com o impulso da comunidade latino-americana da Florida, criticou a ausência de medidas concretas por parte da Casa Branca logo após as manifestações.

No entanto, são também cada vez mais as vozes, sobretudo na ala esquerda do Partido Democrata, que defendem uma postura mais branda dos EUA face a Cuba e a um alívio do embargo comercial, tal como havia sido tentado por Obama. Inicialmente, Biden desfez algumas das medidas mais duras postas em curso pelo seu antecessor, Donald Trump, que havia cortado as remessas dos imigrantes cubanos nos EUA e integrado Cuba na lista de países patrocinadores de terrorismo. No entanto, adivinha-se o regresso de um distanciamento nos próximos tempos.

“Este é apenas o início: os Estados Unidos vão continuar a punir os indivíduos responsáveis pela opressão sobre o povo de Cuba”, declarou Biden.

As sanções incluem o congelamento de todas as propriedades, activos e contas bancárias detidas pelos seus alvos nos EUA, bem com a restrição no acesso ao sistema financeiro mundial.

A 11 de Julho, milhares de cubanos participaram em manifestações contra o Governo actualmente liderado por Miguel Díaz-Canel, protagonizando o maior acto de contestação ao regime cubano desde os anos 1990. Desde então, centenas de activistas políticos têm sido detidos.

O Governo cubano acusa Washington de incentivar e promover as manifestações. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Bruno Rodríguez, disse que as acusações feitas pela Administração Biden são “infundadas e caluniosas” e defendeu que as sanções deviam ser aplicadas ao próprio Governo norte-americano pela “repressão quotidiana e brutalidade policial” nas cidades dos EUA.