EUA e Alemanha chegam a acordo sobre o Nord Stream 2

O gasoduto, quase terminado, avança, mas há sanções previstas caso Moscovo tente usar o fornecimento de gás como arma ou levar a cabo agressões contra a Ucrânia - e que incluem limitar a exportação de gás para a Europa.

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O Nord Stream 2 tem sido muito criticado por dar mais poder à Rússia Hannibal Hanschke/Reuters

Washington e Berlim chegaram a um acordo para encerrar a disputa sobre o polémico gasoduto Nord Stream 2, que duplicará a quantidade de gás russo directamente à Alemanha e está quase pronto.

A responsável norte-americana Victoria Nuland diz que este é “um gasoduto mau”, mas contrapôs que o acordo entre os dois países prevê sanções à Rússia caso Moscovo tente chantagear a Ucrânia usando o gás como arma.

Os críticos do Nord Stream 2 dizem que este causa um problema estratégico à Europa, já que permite à Rússia levar mais gás directamente ao mercado alemão, ultrapassando as vias que passam pela Ucrânia e Polónia, podendo assim cortar o fornecimento a estes quando quiser, sem ter impacto no fornecimento à Alemanha. Estes críticos não estão só nos EUA, Ucrânia, ou na Polónia, também estão dentro da própria Alemanha, onde a questão foi de novo debatida após o envenenamento do opositor russo Alexei Navalny, que foi tratado no Hospital Charité em Berlim.

O gasoduto de 1230 km custou cerca de 9,5 mil milhões de euros e levou a anterior Administração dos EUA a impor sanções a empresas envolvidas na sua construção. O actual Presidente, Joe Biden, não queria seguir o caminho das sanções, e suspendeu-as em Maio.

O acordo actual pretende dificultar que objectivo estratégico da Rússia seja conseguido. “Se a Rússia tentar usar a energia como arma ou cometer outras acções agressivas contra a Ucrânia, a Alemanha compromete-se, neste acordo celebrado connosco, a tomar medidas e a pressionar [Moscovo], através de medidas eficazes a nível europeu, incluindo a aplicação de sanções para limitar as capacidades de exportação da Rússia para a Europa no sector de energia”, disse Nuland. Até agora, as sanções europeias têm falhado por não tocarem no sector da energia.

A Ucrânia perde ainda com o acordo cerca de 3 mil milhões de dólares (mais de 2,5 milhões de euros) em comissões pela passagem do gás. Nos termos do acordo entre EUA e Alemanha, a Ucrânia irá receber 50 milhões em créditos para tecnologia de energia verde e uma garantia do pagamento das comissões perdidas pela passagem do gás até 2024, segundo a Associated Press.

A Ucrânia teme não só consequências económicas: o país, que em 2014 viu a península da Crimeia anexada pela Rússia, e que luta contra separatistas apoiados por russos no Leste desde esse ano, teme uma invasão russa depois de o gasoduto estar operacional, nota a BBC.