Aos 4 anos, Nina é uma activista ambiental que cuida das praias do Rio de Janeiro

A menina foi condecorada pela Comlurb, a companhia municipal de limpeza urbana da cidade do Pão de Açúcar, tornando-se a mais nova Agente Verde.

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Nina terá começado a mergulhar quando tinha apenas um ano e sete meses Reuters/Pilar Olivares
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A menina mergulha com o pai, o biólogo marinho e realizador Ricardo Gomes Reuters/Pilar Olivares
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“As crianças que são criadas apenas no meio do cimento não se tornarão defensoras da natureza e dos oceanos”, lamenta Ricardo Gomes Reuters/Pilar Olivares
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O pai de Nina fundou o o Instituto Mar Urbano, um grupo sediado no Rio de Janeiro destinado a combater as calamidades ambientais nos oceanos Reuters/Pilar Olivares
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Nina Gomes tem 4 anos Reuters/Pilar Olivares
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A menina apanha plástico na baía de Guanabara Reuters/Pilar Olivares
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Além de plástico, Nina traz para casa outras recordações das suas incursões pelo oceano Reuters/Pilar Olivares
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Nina e o pai vão na prancha de Padel e usam uma rede para trazer de volta os plásticos Reuters/Pilar Olivares
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Nina desenha peixes Reuters/Pilar Olivares
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Quando tinha 3 anos, ganhou o prémio Tatuí de Ouro, do Instituto Ecológico Aqualung, por ter sido a criança mais jovem a ajudar a fazer a limpeza na praia de Copacabana Reuters/Pilar Olivares
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São mais de 400 espécies diferentes de pássaros, peixes, répteis e mamíferos que vivem na baía de Guanabara Reuters/Pilar Olivares
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“Já é uma pequena defensora do oceano”, diz o seu pai, com orgulho Reuters/Pilar Olivares

O Rio de Janeiro tem uma nova activista ambiental, mas não é uma qualquer. Trata-se de Nina Gomes que, com apenas 4 anos, apanha lixo das praias cariocas com o pai, Ricardo Gomes, biólogo marinho e realizador. A ambientalista pode ser encontrada nas praias da baía de Guanabara, montada na sua prancha de padel, com os óculos de mergulho cor-de-rosa, a recolher plástico do oceano.

Garrafas de água e sacos é o que a pequena Nina mais encontra no mar, quando vai com o pai limpar a praia, de rede em riste para transportar o plástico. “Já é uma pequena defensora do oceano”, descreve o pai, citado pela agência Reuters. “Tal pai, tal filha” diz a expressão popular e, neste caso, aplica-se a Ricardo Gomes e a Nina. Em 2019, o biólogo marinho brasileiro realizou o documentário Rios Urbanos, sobre os estuários dos rios Tejo e Sado, e, em 2017, Baía Urbana, que mostra, precisamente, os ecossistemas da baía de Guanabara, no Rio de Janeiro.

Agora, a propósito do Dia dos Oceanos, que se celebrou em Junho, a filha foi condecorada pela Comlurb, a companhia municipal de limpeza urbana da área do Pão de Açúcar, tornando-se a nova Agente Verde, distinção concedida a quem incentiva as boas práticas ambientais​. “A Nina representa muito bem o selo de Agente Verde e mostra que podemos fazer a diferença para o meio ambiente e o planeta desde pequeno”, disse, ao jornal brasileiro O Globo, o presidente da instituição, Flávio Lopes.

E esta não foi a primeira vez que a menina se destacou pelas suas acções em prol do planeta. Quando tinha 3 anos, ganhou o prémio Tatuí de Ouro, do Instituto Ecológico Aqualung, por ter sido a criança mais jovem a ajudar a fazer a limpeza na praia de Copacabana, recorda em comunicado a Prefeitura do Rio de Janeiro. 

Nina terá começado a mergulhar com apenas um ano e sete meses e, quando questionada sobre o propósito da sua missão, pela Reuters, responde que o faz pelos “peixes e tartarugas” que, caso contrário, “morrem”. O pai da menina, Ricardo Gomes, espera que o exemplo da filha sirva para inspirar e ajudar a quebrar a apatia do público em relação à protecção do ambiente. “As crianças que são criadas apenas no meio do cimento não se tornarão defensoras da natureza e dos oceanos”, lamenta.

Pouco depois de a filha nascer, o biólogo marinho criou o Instituto Mar Urbano, um grupo sediado no Rio de Janeiro destinado a combater as calamidades ambientais nos oceanos. Estudos do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade relatam que há mais de 400 espécies diferentes de pássaros, peixes, répteis e mamíferos que vivem na baía de Guanabara ou nas suas imediações. Aliás, são milhares os fluminenses — dos mais de 10 milhões de pessoas vivem perto da baía — que vivem da pesca.

Ainda que os números variem, estima-se que entre 4,8 milhões e 12,7 milhões de toneladas de plástico acabem no oceano anualmente, segundo dados divulgados pelo Parlamento Europeu em 2018. Acumulados ao longo do tempo em todos os oceanos, estima-se que se encontrem actualmente um total de mais de 150 milhões de toneladas de plásticos. A pequena Nina Gomes faz a sua parte para evitar que mais animais marinhos morram por consumir ou ficar presos no plástico que flutua no mar.