Ministro do Ambiente diz que excesso de velocidade não “voltará a acontecer”

João Pedro Matos Fernandes esteve com António Costa em Pampilhosa da Serra no lançamento de projectos florestais no âmbito do PRR.

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Matos Fernandes esteve na apresentação do PRR sobre Florestas LUSA/Sérgio Azenha

O Ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, afirmou nesta segunda-feira que já avisou o seu motorista sobre o excesso de velocidade e que tal situação “nunca mais voltará a acontecer”.

O ministro respondia aos jornalistas após uma cerimónia na Pampilhosa da Serra, no distrito de Coimbra, sobre ter sido apanhado pela estação televisiva TVI, a 5 de Julho, a circular a quase 160 quilómetros por hora (km/h) numa estrada nacional e a 200 km/h na auto-estrada.

“Não era eu que ia a conduzir e não me apercebi do que estava a acontecer. E isso não me desresponsabiliza em nada”, afirmou o ministro. João Pedro Matos Fernandes garantiu ainda que já falou com o seu motorista e que tal situação “nunca mais voltará a acontecer”.

O ministro do Ambiente começou por dizer, ainda na semana passada, que não tinha “qualquer memória de os factos relatados terem sucedido” e que se comprometia “a estar mais atento” em situações futuras. “Se [os factos] forem verdade, não deveriam ter acontecido e nunca deles me apercebi. Reconheço que, por vezes, e com a sinalização de emergência ligada, sei que os limites de velocidade são ultrapassados, apenas por razões de trabalho e para não chegar tarde a compromissos profissionais”, disse o ministro à TVI. Isto aconteceu a 5 de Julho, já depois do acidente com a viatura de Eduardo Cabrita.

No dia em que a infracção foi constatada pela TVI, o ministro regressava a Lisboa de um evento em que assinalou a requalificação da Estação de Tratamento de Águas do Roxo, em Aljustrel.

Não é o helicóptero que protege

Matos Fernandes fez estas declarações à margem de uma cerimónia em que participou primeiro-ministro e na qual António Costa defendeu que o que protege as populações dos incêndios florestais não é o “helicóptero que chega para apagar o fogo", mas sim um território e uma paisagem que gerem rendimentos e fixem pessoas.

“Há uma coisa que nós todos aprendemos: o que protege verdadeiramente as populações não é o helicóptero que chega para apagar o fogo. O que protege verdadeiramente as populações é ter uma paisagem, um território, um conjunto de produções no terreno que geram rendimentos, que fixam populações e que as protejam no momento em que sabemos que o fogo chegará”, disse António Costa, que falava na Pampilhosa da Serra, numa cerimónia de assinatura dos protocolos para as primeiras Áreas Integradas de Gestão da Paisagem (AIGP).

Essa perspectiva, sustentou, está plasmada no próprio Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), em que dos 615 milhões destinados à floresta apenas 10% estão afectos a meios de combate a incêndios.

“É esse país mais seguro, de maior rendimento, de maior coesão e de maiores oportunidades para todos que estamos aqui a desenhar a partir deste programa”, frisou.

Para António Costa, iniciativas como as AIGP, que prevêem a criação de zonas de descontinuidade com outro tipo de culturas em áreas de monocultura de eucalipto ou pinheiro, vão transformar o território.

“É um sinal para o país que não estamos a fazer investimentos para amanhã, mas investimentos que transformam o futuro do nosso país”, salientou.

Segundo o primeiro-ministro, o projecto permite criar uma nova paisagem, gerando mais valor para o território, apontando para o caso da Pampilhosa da Serra que, além de ver surgir investimentos na produção de medronho, está a estudar a possibilidade de produzir vinho nas margens do Zêzere.

Para além das AIGP, António Costa destacou ainda um programa previsto no PRR que prevê um investimento de 145 milhões de euros no desenvolvimento de bioindústrias, nas áreas da resina, têxtil e calçado, que poderá valorizar a biomassa presente nos terrenos florestais e, ao mesmo tempo, reduzir o seu risco de incêndio. “Só se fixam pessoas onde há rendimento para viver. Essa transformação é essencial”, asseverou.

Na cerimónia, estiveram presentes vários autarcas dos 27 concelhos onde estarão integradas as primeiras 47 AIGP formalizadas hoje, assim como o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, e o secretário de Estado da Conservação da Natureza, das Florestas e do Ordenamento do Território, João Paulo Catarino.