Na Birmânia os militares ficam com o oxigénio dos doentes de covid-19

Desde o golpe de Fevereiro, que depôs o Governo civil de Aung San Suu Kyi, a Junta militar tomou hospitais, apoderou-se de vacinas e deixou o país à míngua de cuidados de saúde.

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Pessoas fazem fila para encher tanques de oxigénio em Rangum, a maior cidade da Birmânia Reuters/STRINGER

Encontrar oxigénio para doentes de covid-19 já era um desafio, mas agora a junta militar birmanesa, que tomou o poder num golpe em Fevereiro, decidiu que nenhuma clínica privada o poderá fornecer. Organizações não-governamentais estão também proibidas de o dar a quem precisa – e os militares disparam sobre pessoas que procuram encher tanques de oxigénio para familiares doentes, descreve o New York Times. Porque negam o ar que se respira?

Provavelmente, para garantir que há oxigénio nos hospitais militares, ou nos mais de 50 hospitais sob ocupação militar desde o início do golpe, e abandonados pelos médicos em greve, por se negarem a trabalhar sob ordens da Junta. As pessoas negam-se a ir aos hospitais e foram interrompidos tratamentos essenciais, como para o cancro. A Organização Mundial de Saúde (OMS) designou a situação na Birmânia como uma “emergência de saúde”.

Poucos testes ou rastreio se fazem, mas os números oficiais dizem que entre um quarto e um terço dos testes feitos são positivos – o que assinala uma epidemia vasta, diz o Washington Post. Sabe-se que há surtos em povoações na fronteira com a Índia, que estão sob recolher obrigatório.

Poucas pessoas foram vacinadas. Após o golpe, os militares apoderaram-se de grande parte das vacinas contra a covid-19 que o Governo civil tinha adquirido à Índia – 3,5 milhões de doses. E como a Junta militar não deu detalhes sobre a campanha de vacinação, a iniciativa Covax não enviou as 5,5 milhões de doses que deviam ter sido enviados em Março.