Polícias contestam Governo: “Se for preciso entramos pela campanha autárquica dentro”

Cerca de duas centenas de agentes da PSP e GNR manifestam se no Terreiro do Paço

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LUSA/ANTÓNIO COTRIM

Cerca de duas centenas de agentes da PSP e guardas da GNR manifestam-se esta quinta-feira à tarde defronte do Ministério da Administração Interna, no Terreiro do Paço, numa contestação ao valor que o Governo lhes quer pagar de subsídio de risco.

O protesto foi convocado por vários sindicatos da PSP e da GNR, muito embora nem todos convirjam entre si sobre o montante a reivindicar. Enquanto as maiores estruturas sindicais aceitem um aumento faseado deste suplemento salarial até atingir os 430 euros já auferidos pela Judiciária e pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, as restantes não aceitam este aumento gradual.

Já o Governo pôs em cima da mesa um valor fixo até aos 69 euros, que pode no entanto vir a sofrer modificações durante as negociações que serão retomadas no próximo dia 21.

O presidente do Sindicato Nacional de Policia (Sinapol), Armando Ferreira, diz que os agentes da autoridade estão dispostos a ir até às ultimas consequências. E isso inclui “entrar pela campanha autárquica dentro com este assunto “.

Cerca das 19h30 uma delegação de manifestantes entregou um memorando no ministério governado por Eduardo Cabrita, após o que os manifestantes alinhados em formatura fizeram um minuto de silêncio pelos agentes mortos em serviço, seguido do hino nacional. 

“Seremos intransigentes no valor de €430,39 por representar o valor que este mesmo Governo calculou para o Risco devido a outros polícias, pelo que, tendo em conta o princípio da universalidade e da justiça não poderemos ter um valor de risco menor”, refere o documento entregue à chefe de gabinete do ministro da Administração Interna, no qual os sindicatos frisam ainda que não aceitam a abolição, pelo Governo, de outro tipo de compensações remuneratórias dos polícias para cabimentar esta. 

A manifestação contou com a presença de uma organização habitualmente avessa a acções de rua, o Sindicato Nacional de Oficiais de Polícia, cujo líder, Francisco Alves, conta que o secretário de Estado da Administração Interna assumiu a existência de margem de negociação nesta matéria. 

A fraca mobilização de manifestantes, justificam-na os dirigentes sindicais com o facto de as chefias do comando de Lisboa não terem autorizado folgas aos agentes nesta quinta-feira. Mas não só. José Lopes, da Associação Nacional de Sargentos da Guarda, explica que a grande luta de todos os que integram as fileiras da GNR não é esta, mas sim a revisão da tabela salarial da classe, que se mantém idêntica desde 2009. “Já a PSP viu esta tabela revista em 2015”, contrapõe. 

Para assinalar a retoma das negociações na semana que vem, os sindicatos estão a planear um protesto de rua de maior dimensão, igualmente defronte da sede da tutela. “E vamos insistir neste tema durante a campanha para as autárquicas”, confirma outro dirigente, Mário Andrade, do sindicato de profissionais de polícia, enquanto os agentes empunhavam cartazes a expressar a sua indignação: “Vidas a saldo”, “Exigimos respeito”, “A vida dos polícias importa”.