Edward Snowden defende Rui Pinto: um crime “pode ser um acto de serviço público”

Vídeo do denunciante não será exibido em tribunal. Snowden fez reflexão sobre as denúncias, salientando a importância do interesse público.

O denunciante Edward Snowden falou das revelações feitas por Rui Pinto no Football Leaks e nos Luanda Leaks. Através de um vídeo, que não será exibido em tribunal, o norte-americano fez uma reflexão sobre o embate entre o interesse público e as leis nacionais na partilha de informações confidenciais, não tendo dúvidas de que as revelações de Rui Pinto foram importantes para a sociedade. 

“Acredito que no caso de Rui Pinto não há dúvida de que as histórias aqui reveladas suscitaram interesse público e espero que concordem comigo”, afirmou Edward Snowden, ex-administrador de sistemas da CIA que denunciou um esquema de cibervigilância praticado pelo Governo norte-americano.

Nesta reflexão, Snowden considera que um acto de denúncia deve ser julgado do ponto de vista do interesse público. Ou seja, mesmo que as revelações possam surgir de um ponto de partida menos lícito, o importante está nas descobertas que estas informações possam trazer para a esfera pública.

“O indivíduo e as suas circunstâncias, embora sejam materiais e relevantes nalguns contextos, não são o factor mais importante. Isto porque tem menos interesse para o público e, na minha opinião, para a lei, a forma como um facto foi adquirido do que se esse facto é verdadeiro e necessário para conhecimento do público para se fazer justiça”, alega Snowden.

No seguimento desta linha de pensamento, o denunciante diz que mesmo um crime, em alguns casos, “pode ser um acto de serviço público”.

“O resultado final de qualquer acto de denúncia é encontrado nas suas consequências. Não é uma questão de como nos deparámos com o caso, mas sim até onde nos levou”, reforça.

O depoimento em forma de vídeo que Edward Snowden gravou para o julgamento do pirata informático Rui Pinto não será exibido na sala de audiências, ao contrário do que pretendia o hacker. O colectivo de juízes que julga Rui Pinto, acusado de 90 crimes, permitiu que este vídeo fosse juntado ao processo como prova documental, mas não a sua exibição na sala de audiências, por considerarem não existir necessidade.