“Se estivermos em posição de medalha, não vamos deixar passar ninguém”

Diogo Costa e Pedro Costa, que em Março foram vice-campeões do mundo de vela na classe 470, vão deixar de competir juntos após os Jogos Olímpicos e querem terminar em Tóquio “de uma maneira exemplar e sem falhas”.

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João Costa Ferreira

São a tripulação mais jovem que vai competir na classe 470 nos Jogos Olímpicos de 2020, mas são também uma das esperanças portuguesas para a obtenção de uma medalha em Tóquio. Os velejadores Diogo Costa e Pedro Costa, que em Março conquistaram em Vilamoura o segundo lugar no Campeonato do Mundo, vão ser forçados a deixar de competir em conjunto na classe, que passará a ser mista após as olimpíadas, mas antes de seguirem rumos diferentes na vela, querem “acabar de uma maneira exemplar e sem falhas” e “levar o último campeonato” como “o momento mais forte” que tiveram “como equipa”.

Entre 28 de Julho e 4 de Agosto, 19 tripulações vão competir nas águas da baia de Sagami, em Enoshima, para sucederem aos croatas Sime Fantela e Igor Marenic como campeões olímpicos na classe 470 e, um dos barcos que parte no grupo da frente de candidatos a uma das medalhas tem bandeira portuguesa. Os irmãos Diogo Costa, de 23 anos, e Pedro Costa, de 24 anos, viajaram para Tóquio com a insígnia de vice-campeões do mundo, o que, para ambos, funcionará como um incentivo. “É uma motivação chegar como vice. Somos os mais novos, mas somos capazes de lutar. Não joga como pressão”, salienta Diogo Costa.

O irmão mais velho tem o mesmo raciocino. Em conversa com o PÚBLICO, Pedro Costa refere que serem “estreantes e mais novos”, é um incentivo, uma vez que ainda têm “muito futuro pela frente”. Assim, com “uma boa preparação”, não será a “idade ou outras coisas” que serão usadas “como desculpa”: “Se os outros forem melhores, não será uma questão de idade.”

Após a conquista do segundo lugar no Campeonato do Mundo disputado no Algarve, Diogo Costa diz que os dois portugueses ficaram com mais certezas sobre o potencial que têm, o que os leva a ambicionar lutar pelos primeiros lugares. “Sabemos que o segundo lugar podia ter sido o primeiro e sabemos que com uma boa semana no Japão podemos fazer um bom resultado.”

No entanto, embora seja possível “uma medalha” ou “um lugar nos cinco primeiros”, o velejador do Porto alerta que a classificação final dependerá “de muitas coisas”. O objectivo “realista”, é lutar “pelos dez primeiros”, mas Diogo Costa deixa uma certeza: “Se estivermos em posição de medalha, não vamos deixar passar ninguém.”

A concorrem com uma frota onde “tecnicamente são todos muito bons”, Pedro Costa destaca “os suecos, os espanhóis, os australianos ou os neozelandeses” como as tripulações que partem com algum favoritismo, mas realça que há condições de vento e de mar onde a equipa nacional pode levar vantagem – “Com vento mais fraco, até 12 nós, temos boa velocidade. Pouco vento pode ser bom para nós” -, mas assegura que os dois portuenses estarão preparados “para o que houver”. “No Porto e em Cascais, onde navegamos, há muito mar. Não há condições que possamos dizer que não gostamos.”

Numa competição ainda muito condicionada pela pandemia, Pedro Costa considera que apesar das “restrições” são “na mesma os Jogos Olímpicos”. “Não temos um termo de comparação e esta vai ser a nossa realidade. Sabemos que vamos ter que ter paciência com as testagens e as restrições. Teremos que estar disponíveis para fazer as coisas pedidas pela organização, mas são os Jogos Olímpicos de qualquer maneira.” Já Diogo Costa, prefere olhar para o lado positivo: “Muita gente fala do deslumbramento dos Jogos Olímpicos, o que não vai acontecer tanto. Até pode ser uma coisa boa haver restrições para não nos desconcentramos do nosso objectivo, que é o campeonato.”

E esse campeonato, em Enoshima, marcará o fim da partilha em competição do mesmo barco entre os dois irmãos - a classe 470 passará a ser obrigatoriamente mista. Se Diogo Costa pretende manter a competição nos 470, estando à procura de uma velejadora para fazer equipa, Pedro Costa vai mudar, uma vez que não quer competir directamente com o irmão: “Percebemos que não seria inteligente ficarmos na mesma classe. Vamos tentar qualificarmo-nos [para os Jogos Olímpicos de 2024] em classes diferentes.”

Embora ainda não tenha decidido qual a classe onde tentará conquistar um lugar em Paris 2024, Pedro Costa admite ao PÙBLICO que gosta “dos barcos mais rápidos”, sendo que vai ser “por aí que o caminho”. As opções são os 49er, onde “é mais fácil encontrar uma tripulação”, mas “os Nacra têm foils” e andam “a 27 nós à popa”. “É uma escala e uma realidade diferente, mais próxima da Taça América e do Sail GP. É mais interessante, mas, no projecto olímpico, há outros factores a ter em conta. Mas, se tivesse que escolher, ia para os Nacra.”

Ouça a conversa com Diogo Costa e Pedro Costa aqui