O fenómeno da inflação das notas poderá chegar ao fim com sanções com pena suspensa?

Ficarei atenta ao portal Infoescolas do Ministério da Educação para ver se a tendência de inflação de notas dos últimos dez anos se mantém em várias escolas do distrito do Porto. Ficarei também atenta ao cumprimento ou não da pena suspensa, ordenada pelo ministério ao Externato Ribadouro, caso o portal continue teimosamente a evidenciar esta fraude.

Há escolas que inflacionam as classificações internas há mais de dez anos seguidos. O mais curioso é que este fenómeno acontece maioritariamente no distrito do Porto e nunca em escolas de distritos a sul de Coimbra. De facto, a impunidade que tem havido para algumas escolas do Porto com esta prática reiterada de inflação de notas, como é exemplo pioneiro o Externato Ribadouro, potencia a imitação desta prática por parte de outras escolas privadas da zona, de forma a evitarem a perda de alunos e consequentemente a perda de lucros.

Dia 9 de julho de 2021 soubemos que, em resultado de um inquérito aberto em 2019 relacionado com a inflação de notas, foi suspensa de funções a diretora pedagógica do Externato Ribadouro e foi ordenado o encerramento desse estabelecimento de ensino por um ano. Contudo, esta última sanção... com pena suspensa...

Questiono-me se uma sanção com pena suspensa faz sentido neste caso. Penso que faria, se fosse a primeira vez que tivesse acontecido esta prática, se não fosse um problema com mais de dez anos que já alastrou, como um cancro de injustiça social, por muitas escolas, maioritariamente privadas do distrito do Porto e arredores.

Ficarei atenta ao portal Infoescolas do Ministério da Educação para ver se a tendência de inflação de notas dos últimos dez anos se mantém em várias escolas do distrito do Porto. Ficarei também atenta ao cumprimento ou não da pena suspensa, ordenada pelo ministério ao Externato Ribadouro, caso o portal continue teimosamente a evidenciar esta fraude.

Sim, “inflação de notas” parece-me simplesmente um eufemismo para “fraude”. Continuo, porém, com a mesma dúvida: é legítimo que estas escolas, identificadas pelo Ministério da Educação no portal Infoescolas como estabelecimentos de ensino que inflacionam sistematicamente as notas há mais de dez anos seguidos, tenham autonomia e paralelismo pedagógico?

A autora escreve segundo o novo acordo ortográfico