Apaixonada por pastéis de nata, Ceren aprendeu a fazê-los e vende-os... na Turquia

Como é que uma turca acaba a fazer a iguaria portuguesa em Ancara? Junta-se o programa Erasmus, uma “irmã” portuguesa e o facto de ter provado o pastel de nata, há dez anos, numa viagem a Portugal. Foi obsessão à primeira dentada. Agora, Ceren Kiymaz decidiu confeccioná-los de raiz e vendê-los na capital turca.

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Os pastéis de nata são “muito mais do que um sabor” para Ceren Kiymaz​, apressa-se a dizer à Fugas a designer de interiores e, agora, pasteleira da iguaria portuguesa. São uma amizade, uma viagem e, nos últimos meses, um negócio. “Tenho dois filhos, Arda, com cinco anos, e Arya, de cinco meses. Este é o meu terceiro bebé.” Home de Nata, produção caseira de pastéis de nata, com loja online e entregas na capital da Turquia.

Mas, como é que uma turca acaba a cozinhar doces portugueses em Ancara? O amor pelo pastel começou, indirectamente, na Alemanha, em 2011, recorda. Foi lá que conheceu uma portuguesa, a “irmã de coração”, como lhe chama, quando ambas estavam a estudar ao abrigo do programa Erasmus em Kiel. Da amizade nasceu um convite para visitar Portugal naquele mesmo ano. E daí ao fascínio pelos pastéis de nata bastou uma longa fila nos icónicos Pastéis de Belém.

“Sempre procurei saber mais sobre a cultura, a arquitectura e os sabores dos lugares que visitei e tinha chegado finalmente a altura de provar a deliciosa sobremesa de Portugal.” Quando lá chegaram, recorda, “não queria acreditar na fila” de clientes à porta da pastelaria, numa espera que demorou mais de uma hora.

“Amante de doces como sou, claro que esperei, e não queria acreditar na quantidade de pessoas que estavam lá dentro, numa ‘batalha’ constante pela sobremesa mais linda do mundo. As bandejas continuavam a ir e a vir e eu não conseguia parar de comer.” Perdeu conta à quantidade de pastéis de nata que devorou naquelas três semanas de férias em Portugal. “Gosto da canela, da crocância por fora e da consistência por dentro”, descreve. “Amei muito, muito mesmo.”

Tanto que, desde então, Ceren Kiymaz​, de 33 anos, tenta recriar aquele sabor na cozinha da sua casa na Turquia. “Experimentei todas as receitas da Internet, uma por uma, e devo tê-las modificado milhares de vezes.” No início, fazia com massa folhada de compra e concentrava-se no sabor do recheio. Entretanto, decidiu fazer tudo de raiz. “Isso obrigou-me, primeiro, a encontrar a farinha certa. Levei muito tempo a conseguir replicar a massa. Depois, experimentei quase todo o leite e manteiga que encontrei até conseguir chegar à consistência e proporções correctas.”

Em Abril de 2020, fez “finalmente um workshop de pastéis de nata com um chef português”, João Batalha, leccionado online porque todos os cursos presenciais em Portugal tinham sido cancelados devido à pandemia, e obteve um certificado. Na altura, Ceren trabalhava como designer de interiores numa empresa italiana de mobiliário, mas a empresa “teve de fechar” com a pandemia. Entre os confinamentos e o desemprego, viu-se, de repente, com “muito tempo para experimentar na cozinha”.

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Entre o curso e as experiências culinárias, sentiu que tinha chegado o momento de arriscar e lançar o pequeno negócio com o qual andava a sonhar desde que teve o primeiro filho. A pequena Arya, a filha mais nova, nasceu em Janeiro. A Home de Nata chegou a 25 de Abril. Para já, só por encomendas, a partir do Instagram.

“O meu dia começa com os meus filhos e, depois, começo a preparar tudo por volta das 6h, para confeccionar a massa e o creme no mesmo dia. Tudo é fresco, isso é importante para mim”, conta. “Quando acabo de cozinhar, começo a preparar as caixas quase como se fosse um presente, porque a apresentação é muito importante para mim, e depois é hora de fazer as entregas.”

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Como é a própria Ceren a entregar os pastéis de nata, aproveita para conversar com os clientes e ouvir as histórias. “É também o que me dá motivação.” Há muitos que já conhecem a iguaria portuguesa de viagens, outros experimentam pela primeira vez. “Está a correr muito bem.” No máximo, tem capacidade para fazer entre 75 a 80 por dia. Entretanto, este Verão, decidiu lançar natas com sabor a mirtilo ou a morango. E está a expandir a oferta a outras latitudes europeias, com schaumrollen austríacos e croissants franceses. “É o melhor e mais saboroso projecto da minha vida.”