Rui Costa é o novo presidente do Benfica

Antigo jogador e actual vice-presidente das “águias” substitui Luís Filipe Vieira, assumindo também a liderança da SAD.

Foto
Rui Costa, novo presidente do Benfica EPA/Jakub Kaczmarczyk

Rui Costa foi a solução encontrada para mitigar os dois problemas mais prementes no organograma do Benfica. Desde esta sexta-feira que o antigo jogador, de 49 anos, é o novo presidente do clube e também da SAD: foi este o desfecho da reunião de emergência da direcção das “águias”, depois de Luís Filipe Vieira ter suspendido as funções de dirigente. Os estatutos do Benfica prevêem que seja o presidente a “designar o vice-presidente que o substitua nas suas ausências e impedimentos” e o clube confirmou, em comunicado, que será Rui Costa a dirigir os destinos dos “encarnados”.

“O Sport Lisboa e Benfica informa que, nos termos que se encontram estatutariamente previstos e em virtude da comunicação realizada hoje pelo presidente da direcção, Luís Filipe Vieira, o vice-presidente Rui Manuel César Costa, assume, com efeitos imediatos, a presidência do Sport Lisboa e Benfica, nos termos da alínea a do número 3 do artigo 61 dos estatutos do clube”, pode ler-se no documento.

Mais tarde, num outro comunicado, enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), os “encarnados” anunciariam que Rui Costa, até agora vogal do Conselho de Administração, passará a desempenhar também “as funções de presidente do Conselho de Administração, mantendo o Conselho de Administração todas as suas atribuições e competências nos termos previstos na lei e nos estatutos”.

O actual presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, o filho Tiago Vieira e dois empresários da confiança do dirigente desportivo, José António dos Santos, conhecido como o “rei dos frangos”, e Bruno Macedo, encarregue da intermediação do regresso de Jorge Jesus ao clube da Luz, foram detidos esta quarta-feira, no âmbito da Operação Cartão Vermelho.

O dirigente das “águias” é suspeito de ter montado um esquema para desviar dinheiro do clube da Luz. Estas verbas seriam, posteriormente, usadas nos negócios pessoais de Vieira. Segundo o Ministério Público, a operação pública de aquisição (OPA) a 25% do capital social da SAD “encarnada”, lançada em finais de 2019 e que acabou por não ser autorizada, seria uma forma de Luís Filipe Vieira recompensar José António dos Santos, fundador do maior grupo do sector agro-alimentar em Portugal e amigo do presidente do clube da Luz, pelos 44,7 milhões de euros investidos em negócios realizados por empresas ligadas ao presidente das “águias”.

De acordo com o MP, esta acção seria replicada também nas comissões das transferências de jogadores, com recursos a sociedades instrumentais e contratos forjados. No centro destes alegados esquemas está Bruno Geraldes de Macedo, advogado e agente de jogadores. O Ministério Público diz que o empresário aumentava indevidamente as comissões inerentes à venda de jogadores, que depois reverteriam para as empresas do universo de Luís Filipe Vieira, para onde terão sido desviados quase 2,5 milhões de euros.