Josef Nadj cansou-se da solidão e procurou-se em corpos desconhecidos

Depois de anos a trabalhar sobre a ideia do duplo e de uma figura de rosto ausente, o coreógrafo regressa ao movimento como expressão primordial em Omma, peça para oito bailarinos africanos que apresenta no Festival de Almada, desta sexta-feira a 11 de Julho.

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Ivan Fatjo
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A última vez que encontráramos Josef Nadj, singular coreógrafo húngaro há muito sediado em França, em Setembro de 2018, estava a estrear em Lyon e prestes a apresentar no Porto, no Teatro Nacional de São João, um objecto duplo: performance e exposição designados Mnémosyne, magnífica provocação da memória estimulada por um episódio fortuito. Tempos antes, no Verão de 2017, ao pedalar junto ao rio Tisza, perto da sua aldeia natal (Kanjiza, na Voivodina, enclave de língua húngara em território sérvio), Nadj bateu com os olhos numa rã seca, espalmada, a que deitou a mão e levou consigo. Passou a fotografá-la – a essa rã e a outras que recolheu entretanto –, esboçando uma relação desconcertante entre esse momento do clique do obturador, esse momento de fixação da imagem, e tudo aquilo que o precedia.