Novo crédito para compra de casa e consumo voltou a acelerar em Maio

Crédito à habitação superou os 1300 milhões de euros, mas a taxa de juro média subiu ligeiramente, para 0,83%.

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Adriano Miranda / PUBLICO

A concessão de crédito aos consumidores voltou a acelerar em Maio nos diferentes segmentos, mas com comportamentos distintos nas taxas de juro. No total, foram emprestados 1917 milhões de euros, mais 7,6% face ao mês anterior, e mais 56,6% face a Maio de 2020, um mês muito afectado pelo impacto da pandemia de covid-19.

A taxa de juro do crédito para compra de habitação subiu um ponto base, para 0,83% (0,82% de Abril), interrompendo uma tendência de sete meses consecutivos de descidas. O mínimo histórico desta taxa foi registado no passado mês de Março, nos 0,76%. Curiosamente, a TAEG, a taxa anual de encargos efectiva global, que mede o custo do empréstimo para o cliente, por ano, em percentagem do montante emprestado, caiu ligeiramente em Maio, para 1,95%, menos um ponto base que em Abril.​

Apesar de negativas, as taxas Euribor, que estão na base da larga maioria dos empréstimos para compra de casa, têm registado ligeiras subidas no mercado interbancário, a reflectir uma eventual antecipação do fim das medidas expansionistas do Banco Central Europeu, “forçada" pela presente aceleração da inflação na zona euro.

No entanto, o mercado imobiliário residencial continua a revelar um forte dinamismo. Em volume, e para compra de habitação, os bancos emprestaram 1314 milhões de euros, quase mais 100 milhões que os 1220 milhões concedidos em Abril, e mais perto dos 1382 milhões de euros de Março passado, quando foi atingido um máximo desde Janeiro de 2008. Face ao mesmo mês do ano passado, o crescimento foi de 58,3% (830 milhões de euros), um mês muito marcado pelas medidas de combate à pandemia.

Os dados de Maio, divulgados esta segunda-feira pelo Banco de Portugal, também mostram uma aceleração do crédito ao consumo, para níveis pré-pandemia. Para aquisição de bens, os bancos emprestaram 425 milhões, mais 38 milhões que em Abril (9,8%), e mais 80% na comparação homóloga (236 milhões de euros). A que se somam mais 178 milhões de euros para outros fins (saúde, educação ou outros), ligeiramente acima dos 74 milhões do mês anterior.

Naqueles segmentos de crédito aos particulares, as taxas de juro caíram. No crédito ao consumo e para outros fins, as taxas médias foram de 6,38% (6,51% em Abril) e de 3,90% (3,94% em Abril), respectivamente.

Mas se os pedidos de empréstimos aumentaram, a poupança deixada em contas bancárias também. O montante de novos depósitos ascendeu em Maio a 3597 milhões de euros, acima dos 3518 milhões de euros verificados em Abril. A taxa de juro dos novos depósitos de particulares, até um ano, manteve-se em 0,05%, e é no prazo até 12 meses que estão grande parte dos novos depósitos (3518 milhões de euros.

Nos empréstimos às empresas, em Maio, a taxa de juro média diminuiu 16 pontos base face a Abril, para 1,80%, revertendo a tendência de subida, mas bem mais reduzida (três pontos base) verificada em Abril. A menor descida verificou-se nas operações abaixo de um milhão de euros, com uma descida de 11 pontos base, para 2,15%, e a maior nas operações acima de um milhão de euros, com uma queda de 21 pontos base, para 1,34%.

A taxa de juro média dos novos depósitos das empresas, até um ano, caiu um ponto base, para 0,03%.

Notícia actualizada às 16h00 com mais informação