Incidência no Algarve dispara 92%. Jovens são o grupo mais afectado

Faixa etária entre os 20 e os 29 anos é a que reúne maior incidência. Taxa de positividade também subiu, está agora nos 3,2%.

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A variante Delta representa aproximadamente 70% das 10.382 amostras sequenciadas pelo Insa LUSA/LUÍS FORRA

O Algarve é a região do país com a situação de risco mais elevada: a incidência subiu 92% desde a última semana, com 422 casos de covid-19 por 100 mil habitantes a 14 dias. Este dado consta do relatório semanal de monitorização das “linhas vermelhas” elaborado pela Direcção-Geral da Saúde e pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).

Se olharmos para matriz de risco, apresentada pelo Governo no início do processo de desconfinamento, o Algarve está bem dentro da “zona vermelha”, que sinaliza risco muito elevado. Além da incidência, também o índice de transmissibilidade do SARS-CoV-2 – designado por R(t) – no Algarve é o maior do país. Esta região tem um R(t) de 1,27.

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Matriz de risco com as várias regiões Relatório Linhas Vermelhas

Também Lisboa e Vale do Tejo (LVT) está na “zona vermelha” da matriz de risco. O aumento na incidência (34%) até foi dos menores do país, mas, na última avaliação, LVT registava a maior taxa de incidência do país. Actualmente, Lisboa e Vale do Tejo regista 344 casos por 100 mil habitantes a 14 dias. O Alentejo tem 108 casos no mesmo número de habitantes, o Norte 99 e a região Centro conta 95 casos por 100 mil habitantes.

Se observarmos a incidência através das faixas etárias, percebemos que os jovens entre os 20 e os 29 anos são actualmente os mais afectados pelo vírus. A incidência neste grupo é de 427 casos por 100 mil habitantes, número bastante superior ao das faixas etárias mais idosas. Em pessoas com mais de 80 anos, por exemplo, a incidência fixa-se nos 43 casos. Em pessoas entre os 70 e os 79 anos a incidência sobe ligeiramente, para os 58 casos por 100 mil habitantes.

A variante Delta já representa aproximadamente 70% das 10.382 amostras sequenciadas pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), comprovando que a estirpe B.1.617.2, associada à Índia, já é principal a circular no país. Esta variante é 60% mais transmissível do que a variante Alpha (associada anteriormente ao Reino Unido) que, por sua vez, era já entre 40 a 50% mais transmissível do que a estirpe original do SARS-CoV-2, apontam os dados científicos recolhidos, que também sugerem uma maior agressividade, com aumento da probabilidade de hospitalização.

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Aumentar

O relatório das linhas vermelhas dá ainda conta de uma subida na proporção de testes positivos. Nos últimos sete dias, a taxa de positividade subiu para os 3,2% (na semana passada era de 2,3%). Portugal está, assim, um passo mais perto do limite de 4%. O número de testes realizados no país também aumentou: foram 390.241 testes, mais 7684 do que na última semana.

Esta análise reconhece ainda que o aumento de casos tem colocado pressão sobre as unidades de cuidados intensivos do país. Actualmente, 113 camas estão ocupadas por pacientes. Em LVT, com 71 pacientes nestas unidades, já foi ocupado 86% do limite regional de camas.