CIP defende “abanão” ao modelo de crescimento para superar crise

Portugal “não pode conformar-se com o crescimento anémico que se tem registado nas últimas duas décadas”, diz a maior confederação patronal do país.

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O presidente da CIP, António Saraiva Nuno Ferreira Santos (arquivo)

A Confederação Empresarial de Portugal (CIP) defende um “abanão ao modelo de crescimento” para que o país cresça “pelo menos” 3% ao ano entre 2022 e 2026, crie 50 mil empregos qualificados e aumente exportações e investimento para 50% e 25% do PIB, respectivamente.

Num plano traçado para o período pós-crise pandémica e intitulado Uma Estratégia de Crescimento e Competitividade, a maior confederação patronal do país defende que Portugal “não pode conformar-se com o crescimento anémico que se tem registado nas últimas duas décadas” e aponta o ano 2021 como “a oportunidade” para dar um “abanão”.

“É necessária uma estratégia, com medidas de médio e longo prazo. Uma estratégia de crescimento sustentável exige uma nova geração de políticas públicas pela utilização eficiente e transparente dos recursos públicos e uma nova cultura de relacionamento com os agentes económicos, com valorização do papel da economia de mercado e da iniciativa privada”, sustenta.

Neste sentido, a CIP propõe ao Governo medidas em dez áreas: estimular investimentos através dos fundos comunitários; combater custos de contexto; uma adequada execução de investimentos públicos; capitalizar as empresas; potenciar clusters com maior potencial de crescimento; apostar na sustentabilidade e aproveitamento dos recursos naturais; requalificar o mercado de trabalho; reforçar a estratégia industrial; formar em competências digitais; e promover a transição digital.

O objectivo é que Portugal requalifique 100 mil trabalhadores, registe um milhão de formandos com competências digitais e, em 2026, atinja um volume de exportações equivalente a 50% do Produto Interno Bruto (PIB) e aumente a componente de investimento para, “pelo menos, 25% do PIB”.

Avisando que a opção é entre “crescer ou empobrecer”, a confederação defende a urgência de uma estratégia de crescimento e competitividade a médio-longo prazo, “alinhada com a Europa” e cujas metas sejam “crescer, exportar, investir e formar”.

No que diz respeito aos fundos comunitários, a confederação liderada por António Saraiva reclama o envolvimento dos parceiros sociais, a canalização de apoios especiais para sectores como o comércio, o turismo e, em especial, a restauração, a “plena activação imediata” do Banco Português de Fomento e a “operacionalização urgente dos prometidos instrumentos de capitalização das empresas”.

Defende ainda que as verbas europeias sirvam para “incentivar e acelerar os investimentos privados”, mediante a agilização e simplificação das candidaturas.

Já com vista à capitalização das empresas, a CIP destaca a importância da conversão de garantias de Estado em incentivos a fundo perdido, a criação de um Fundo de Capitalização de Emergência e de uma linha de dívida subordinada covid-19, o reforço dos fundos de capitalização e incentivos fiscais à capitalização.