Ao quarto empate, a Espanha já está nas meias-finais

Tal como tinha acontecido nos oitavos-de-final contra a França, a Suíça levou a decisão da eliminatória para os penáltis, mas não conseguiu impedir que os espanhóis regressem às meias-finais de um Europeu

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Reuters/MAXIM SHEMETOV

O futebol continua a ser pouco convincente, com posse a mais e objectividade a menos, mas após quatro empates nos 90 minutos dos primeiros cinco jogos do Euro 2020, três deles a jogar em Sevilha, a Espanha garantiu o primeiro passaporte para a cimeira europeia de Londres, que, a partir da próxima terça-feira, reunirá em Wembley os quatro semifinalistas do Europeu. Num jogo em São Petersburgo onde a Suíça teve muitas contrariedades, o tempo regulamentar terminou empatado a um golo, mas, no desempate por grandes penalidades, os helvéticos não tiveram a mesma eficácia dos “oitavos”, contra a França. Mikel Oyarzabal fez o remate que garantiu que “la roja” regresse às meias-finais da prova que ganhou em 2008 e 2012.

Quatro dias antes, nos oitavos-de-final, Suíça e Espanha tinham saído vencedores de dois dos jogos mais electrizantes do Euro 2020, mas, em São Petersburgo, o primeiro duelo dos “quartos” foi quase sempre enfadonho e muito pouco entusiasmante. Culpa do futebol quase sempre insípido da equipa liderada por Luis Enrique.

Com a equipa na máxima força, o antigo treinador do Barcelona fez duas alterações em relação ao confronto com a Croácia, trocando Eric García e Gayà, que alguns problemas contra os croatas, por Pau Torres e Jordi Alba. As alterações não mudavam o habitual 4x3x3 espanhol, com posse a mais e poder de fogo a menos.

Do outro lado, Vladimir Petkovic tinha um grande problema para resolver. O seleccionador suíço não tinha disponível Granit Xhaka, capitão, líder e um dos pilares da Suíça, colocando no seu lugar Denis Zakaria. Com isso, o meio-campo suíço ganhava músculo, mas perdia talento e critério na saída para o ataque.

Os problemas para Petkovic não terminaram, no entanto, no castigo do jogador do Arsenal. Aos 8’, após um canto, sem ter criado qualquer perigo para a baliza de Sommer, a Espanha teve fortuna e chegou ao golo: um remate de Alba ia à figura do guarda-redes, mas Zakaria meteu o pé e desviou para o fundo da sua baliza. Numa das primeiras vezes que tocava na bola, o substituto de Xhaka fazia o 10.º golo na própria baliza do Euro 2020.

Pouco depois, mais uma contrariedade para a Suíça, com a lesão de outra das suas principais armas: Embolo teve que abandonar o jogo por lesão. Aos 23’, Petkovic ficava obrigado a reformular o seu ataque.

Com tudo a seu favor, a Espanha parecia ter o jogo na mão, mas apenas criava perigo de bolas paradas e, ao intervalo, os números mostravam que o encontro estava longe de estar resolvido: 10-9 em remates para os espanhóis; 9-6 em cantos para os suíços.

Ao intervalo, Petkovic manteve tudo na mesma, mas Enrique trocou Sarabia por Olmo. Pouco depois, nova mudança espanhola – Moreno no lugar de Morata -, mas, aos poucos, a Suíça começou a subir o terreno e, após duas ameaças (Zakaria e Zuber), Shaqiri fez o empate aos 68’.

O empate abalou os espanhóis, que demoraram a reagir, mas uma decisão rigorosa de Michael Oliver mudou o jogo. Num lance onde Freuler tocou primeiro na bola, o árbitro inglês mostrou vermelho directo ao médio da Atalanta.

A partir daí, Petkovic abdicou de tentar ganhar e retirou de imediato Shaqiri e Seferovic, apostando tudo no desempate por penáltis, o que acabou por conseguir. Porém, desta vez foi a Suíça que levou a pior.

100% eficazes contra a França, os suíços falharam três tentativas, contra duas dos espanhóis, e deixar fugir a oportunidade de disputar pela primeira vez às meias-finais de um Europeu.