Portugueses compraram menos 51 mil carros no semestre do que antes da pandemia

Quase 100 mil viaturas novas registadas entre Janeiro e Junho de 2021. Modelos electrificados ganham terreno e já são quase um em cada três carros comprados.

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Lucy Nicholson

Na primeira metade de 2021 foram matriculados em Portugal 99.322 mil veículos, a esmagadora maioria (97,4%) dos quais são ligeiros. São mais de 21 mil viaturas novas face ao primeiro semestre de 2020 (um aumento de 27,3%), mostrando que o período do segundo confinamento (entre Janeiro e Março passado) teve um impacto menor no comércio automóvel do que o primeiro confinamento (de Março a Maio de 2020).

Na primeira metade de 2019, os portugueses tinham comprado pouco mais do que 150 mil veículos. Ou seja, mais 51 mil veículos do que no primeiro semestre de 2021, segundo dados publicados esta quinta-feira pela associação do sector.

Em termos de combustível, o diesel segue em perda profunda no mercado de ligeiros de passageiros. Os carros com motor a gasóleo já só representam 18,6% das novas matrículas em Junho (contra 22,5% em Maio), fechando assim o primeiro semestre de 2021 com uma quota de 23,5% (contra 32,8% de quota para o total do ano passado).

A gasolina, pelo contrário, tem vindo a subir e já é o combustível usado em quase metade dos novos carros comprados em Junho. Estes tiveram uma quota de 49,6% no mês passado, são 46,8% das novas matrículas na primeira metade deste ano e eram somente 44,2% no final de 2020.

Os combustíveis alternativos também seguem em crescendo. Em particular os modelos electrificados, que já eram um em cada quatro carros novos comprados em Abril (26,4%) e em Junho caminharam para a fasquia seguinte, de serem um em cada três (são 29,7% das matrículas novas desse mês).

Por segmentos, os híbridos convencionais (HEV) são os que registam o maior crescimento. Em seis meses de 2021 já venderam 10.520 unidades, quase tanto quanto as 11.902 de todo o ano de 2020. Tal resultado pode estar relacionado com a antecipação de registos que sucedeu antes da entrada em vigor dos cortes sobre benefícios fiscais de que beneficiam os HEV. Será preciso esperar pela segunda metade do ano para perceber se este crescimento foi apenas consequência de um efeito fiscal ou se, pelo contrário, os portugueses encontraram no mercado modelos HEV mais atractivos do que os eléctricos recarregáveis (puros ou híbridos).

Já os 100% eléctricos (BEV) fecharam a primeira metade deste ano a valerem 5,8% do mercado (contra 5,4% de quota em 2020). Até 30 Junho, os portugueses compraram 4695 carros BEV, o que representa praticamente 60% das vendas de BEV de todo o ano passado (7830 unidades).

Quanto aos híbridos plug in, estes valem agora 9,7% do mercado, contra 8,1% em 2020.

A Tesla foi a marca que mais BEV entregou em Junho (278 carros), à frente da Nissan (177), da Renault (103) e da Peugeot (100). Em Maio o pódio tinha sido Renault, Peugeot e Nissan.

Para a ACAP - Associação Automóvel de Portugal, uma parte da explicação reside nas consequências económicas da crise provocada pela pandemia, “que tem tido um impacto negativo na procura”, mas essa não é a única razão. Outra parte da explicação, diz a ACAP, é a crise dos semicondutores, que afecta a indústria automóvel global (bem como outros sectores) e condiciona a oferta.

Tanto por cá como lá fora tornou-se recorrente ver fabricantes a suspenderem a produção devido à falta de chips. Isso acarreta interrupções no fornecimento e, por consequência, atrasos na entrega ao cliente. Há, como constata a ACAP,  “em muitos modelos em comercialização, falta de produto para colocação no mercado”. 

“Assim, apesar de os concessionários continuarem abertos e a operar em pleno, 2021 está a revelar-se um ano particularmente difícil, depois de um 2020 em que se verificou uma das maiores quedas de mercado de sempre”, conclui a associação.

Por marcas, no primeiro semestre de 2021, a Renault foi a mais vendida nos ligeiros (de passageiros e comerciais), sendo a Peugeot segunda. Porém, as duas marcas francesas repartem os rankings: a Peugeot tem uma magra vantagem no mercado de ligeiros de passageiros sobre a Renault; a Renault, por seu lado, tem vantagem sobre a Peugeot nos comerciais ligeiros; e na soma destes dois mercados, a Renault fica à frente da Peugeot no mercado total de ligeiros com uma vantagem de 26 viaturas e de mais 0,2% de quota de mercado.