Swatch junta-se à Santini: nasce um relógio com sabor a chocolates

A relojoeira suíça estabeleceu uma parceira com a marca portuguesa de gelados artesanais. “Um orgulho”, define Eduardo Santini, que tem procurado sinergias assim para promover os seus produtos.

gula,vicios,alimentacao,consumo,fugas,verao,
Fotogaleria
Nicolau Botequilha
gula,vicios,alimentacao,consumo,fugas,verao,
Fotogaleria
Nicolau Botequilha
gula,vicios,alimentacao,consumo,fugas,verao,
Fotogaleria
Nicolau Botequilha
gula,vicios,alimentacao,consumo,fugas,verao,
Fotogaleria
Nicolau Botequilha
gula,vicios,alimentacao,consumo,fugas,verao,
Fotogaleria
Nicolau Botequilha

Com calma, Eduardo Santini vai mostrando a fábrica onde tudo acontece. Já nada tem a ver com a geladaria que um dia o avô abriu na praia do Tamariz, no Estoril. Agora, a fábrica, em Carcavelos, inaugurada em 2001, emprega cerca de 20 pessoas. Há salas e câmaras frigoríficas com diferentes funções, mas o discurso do neto ilumina-se quando aponta para umas máquinas coloridas, ao fundo de uma das salas, e diz que têm o mesmo mecanismo que as do tempo do seu avô, “mas modernas”, esclarece.

Tudo começou em 1949 quando Attilio Santini abriu as portas da sua geladaria em Portugal. Mas, a verdade é que a história dos Santini remonta ao tempo do bisavô de Attilio, que já fabricava gelados, em Viena de Áustria. Hoje Eduardo Santini administra a marca e é o responsável por preservar o receituário do avô, mas também por introduzir novos sabores. O último é apresentado nesta quarta-feira, e surgiu de uma parceria com a Swatch, a relojoeira suíça. O chocolate serviu de inspiração e a bola — que idealmente deverá ser comida num cone, também ele feito segundo a receita do avô — é de chocolate branco com pedaços de chocolate negro. A Swatch agarrou num modelo da última colecção, com riscas brancas e vermelhas, e personalizou-o com uma presilha com a assinatura vermelha “Santini”.

Foto
DR

“Fazemos parcerias com várias marcas, com dois objectivos: o de aliar a nossa a outras que sejam divertidas, e o de promover o consumo do nosso produto”, diz Eduardo Santini, acrescentando que a parceria com a Swatch já é antiga, “do tempo da Expo98”, com os seus relógios de parede a decorar a loja, recorda. Agora os relógios maxi voltaram a sete lojas. Mas há outras parcerias mais antigas, como com a autarquia de Cascais, ou mais recentes, como com a câmara do Fundão, quando se lançou o sabor a Cereja do Fundão, enumera Marta de Botton, administradora da empresa. Também os chocolates da Nestlé e os vinhos de Carcavelos passaram pelas cuvetes de gelado da marca. “A maior parte [dos interessados em estabelecer parcerias] vem ter connosco”, orgulha-se Eduardo Santini. Neste caso, o relógio pode ser comprado na geladaria, já nas lojas da Swatch e seus revendedores será oferecido um voucher, no valor de 3,20€, para provar o gelado. E em três lojas da Swatch, a seleccionar, estarão carrinhos de gelados Santini.

“A minha tarefa é desenvolver os sabores novos, tendo em conta que tem de ser um gelado natural”, ressalva o administrador. Os sabores que, nos últimos tempos, têm tido maior sucesso são o de mousse de chocolate, brigadeiro e Bola de Berlim. Neste último, 90% tem mesmo a consistência do bolo, assegura. Claro que há sabores que não fazem sentido, mas outros são interessantes arriscar, como o de queijo gorgonzola com nozes. “Temos que adaptar, não usando nada que não sejam matérias-primas naturais”, salvaguarda. É preciso ter muita atenção à fruta escolhida, não só à sua qualidade, mas também ao estado de maturação, até porque, este processo continua já o gelado está feito e não se pode correr o risco de essa maturação adulterar o sabor, explica. A validade dos produtos varia, a nata tem um mês de validade, outros sabores têm três a seis meses.

Enfrentar a pandemia com novos produtos

E como se fazem os gelados? Tudo começa à porta da rua, quando as matérias-primas são recebidas. A preocupação é sempre a de evitar contaminações, explica Eduardo Santini, detrás da máscara, da bata e da touca na cabeça, a farda que todos usam na unidade de produção. A fruta é lavada e desinfectada numa sala, noutra é feita a extracção da polpa — a fruta não é pasteurizada porque tal alteraria o sabor, são as temperaturas negativas em que é conservada que fazem esse processo, explica. Só depois vai para a tal sala, que é o coração da produção, que é onde se faz o gelado. “Mantemos o mesmo procedimento, as mesmas receitas, como no tempo do meu avô, só que numa escala maior”, resume o administrador.

Ao todo existem no receituário cerca de meio milhar de sabores diferentes, avança Marta de Botton. A família de Botton entrou no negócio quando os Santini quiseram expandir. “Desde pequenina que ia à Santini e o meu pai costumava dizer, quase na brincadeira, que se eles [os Santini] precisassem de ajuda, que dissessem. Gostava de dar sugestões. Por isso, esta não é uma relação que começou do zero, já tínhamos uma história”, conta a administradora ao PÚBLICO, na loja do Chiado, em Lisboa, onde existe uma pequena fábrica de cones — com a receita de Attilio Santini — para que os clientes, caso queiram, possam comer um gelado com o cone acabado de fazer.

Foto
Nicolau Botequilha

Em 2009, no ano em que a geladaria celebrou 60 anos, Filipe de Botton adquire 50% do capital da empresa e começa a expansão. Abrem-se mais lojas, estabelecem-se parcerias, criam-se novas maneiras de fazer chegar o gelado artesanal a mais sítios do país. Há sempre a preocupação com a qualidade do produto, salvaguarda Marta de Botton, e a pandemia serviu para pôr no mercado uma nova gama de produtos, as paletas de fruta — morango, maracujá, chocolate, limão-framboesa, lima, amendoim, açaí-banana e acerola —, os chamados Picolini, que podem chegar ao Algarve, Alentejo ou ao Porto sem perder qualidade. Também foram criados boiões de 150 ml, acrescenta a administradora.

Durante a pandemia, as lojas que mais sofreram foram as que estavam mais voltadas para o turismo, reconhece Marta de Botton. A que menos se ressentiu foi a de Carcavelos, que fica numa zona residencial. Foram criadas lojas móveis, que funcionam em carrinhas. A empresa tinha um plano de internacionalização, mas com a pandemia foi suspenso. “Não abandonamos a ideia mas é um objectivo”, conclui Eduardo Santini.