Cinco fotogalerias que gritam pride, no Dia Internacional do Orgulho LGBT

Em marchas ou em casa com a família, relembramos cinco fotogalerias com protagonistas queer — entre os preconceitos e as alegrias de ser quem são.

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“Eu tenho um pai e um papá”: retratos de famílias de pais gays

O fotógrafo belga Bart Heynen é um pai gay de dois filhos gémeos e dedicou os últimos anos ao projecto e fotolivro Dads, que reúne retratos de mais de 40 famílias com uma característica comum: ambos os pais são homens. “Infelizmente, para muitos homens e mulheres homossexuais do mundo criar uma família é menos provável do que ganhar a lotaria. Na melhor das hipóteses, várias gerações irão viver antes de haver, globalmente, direitos iguais para todos”, diz o fotógrafo, lembrando que 70 países membros das Nações Unidas têm ainda inscrito nas suas leis que qualquer interacção de natureza sexual consentida entre dois elementos do mesmo sexo é crime. 

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©BART HEYNEN Eu e o Rob com o Ethan e o Noah, às 6:30 da manhã, em Antuérpia, Bélgica.

O amor entre dois homens também é vintage — e estas imagens centenárias comprovam-no

Há 20 anos que Hugh Nini e Neal Treadwell coleccionam fotografias centenárias de homens apaixonados. Nesta fotogaleria do P3, partilham parte do seu acervo presente no livro Loving: A Photographic History of Men in Love, 1850s–1950s. “Eles nunca poderiam imaginar que, um dia, tantos anos depois, a sua fotografia secreta viria a fazer parte de um livro que os celebra”, escreveu o casal, na introdução do livro de histórias de amor proibido de casais ingleses, franceses, alemães, búlgaros, croatas, sérvios, estónios, húngaros, italianos, portugueses, austríacos, checos, dinamarqueses, russos, japoneses, chineses. Vale a pena conhecê-las.

Cortesia de Nini-Treadwell Collection © “Loving" da 5 Continents Editions
Sem Data. Estados Unidos Cortesia de Nini-Treadwell Collection © “Loving" da 5 Continents Editions
Maio de 1945. “Kitzbuhel, Austria, Pfc Dariel Burns, Johnny, na neve, nos Alpes.” Cortesia de Nini-Treadwell Collection © “Loving" da 5 Continents Editions
Circa 1880. “McInturff, Steve Book, Delaware O.”, Estados Unidos. Cortesia de Nini-Treadwell Collection © “Loving" da 5 Continents Editions
Sem data, Estados Unidos Cortesia de Nini-Treadwell Collection © “Loving" da 5 Continents Editions
Sem Data, Estados Unidos Cortesia de Nini-Treadwell Collection © “Loving" da 5 Continents Editions
“1951” “Davis & J.C.” Cortesia de Nini-Treadwell Collection © “Loving" da 5 Continents Editions
Sem data. Cabine Fotográfica. Estados Unidos Cortesia de Nini-Treadwell Collection © “Loving" da 5 Continents Editions
Sem data. Estados Unidos Cortesia de Nini-Treadwell Collection © “Loving" da 5 Continents Editions
Sem data. Estados Unidos Cortesia de Nini-Treadwell Collection © “Loving" da 5 Continents Editions
“Rocky Nook Labor Day 1910”, Estados Unidos Cortesia de Nini-Treadwell Collection © “Loving" da 5 Continents Editions
Sem data Cortesia de Nini-Treadwell Collection © “Loving" da 5 Continents Editions
Sem Data Cortesia de Nini-Treadwell Collection © “Loving" da 5 Continents Editions
Sem data. Estados Unidos Cortesia de Nini-Treadwell Collection © “Loving" da 5 Continents Editions
Sem data. Estados Unidos Cortesia de Nini-Treadwell Collection © “Loving" da 5 Continents Editions
Sem Data Cortesia de Nini-Treadwell Collection © “Loving" da 5 Continents Editions
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Cortesia de Nini-Treadwell Collection © “Loving" da 5 Continents Editions

A homofobia continua a crescer na Hungria — mas este casal transgénero decidiu casar-se

O casamento do casal trans húngaro Tamara Csillag e Elvira Angya parecia outro qualquer: o par nervoso a arranjar-se, a saída para o tribunal onde o casamento ia acontecer. Mas no mundo do nacionalista primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, isto é especial — uma vez que Orbán tem vindo a ser cada vez mais hostil para com pessoas LGBT+ e proscreveu o reconhecimento legal da identidade transgénero. 

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O dia do casamento BERNADETT SZABO/REUTERS

Ironicamente, foi isso mesmo que tornou o casamento possível, uma vez que Csillag ficou a meio do processo, ainda com documentos que lhe atribuem o sexo masculino; Angyal já tinha completado a sua transição e os seus documentos provavam-no. "Amo-te”, disse Angyal, enquanto beijava a esposa. “Também te amo.” O Parlamento húngaro aprovou no mês do orgulho LGBT uma lei a proibir a divulgação a menores de 18 anos de conteúdos que incluam a “representação e promoção de uma identidade de género diferente do sexo à nascença, da mudança de sexo e da homossexualidade”, uma lei que foi vista como mais um acto de discriminação do Governo húngaro contra a comunidade LGBTI (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgénero e Intersexo) do país.

LGBT History: das lutas pré-Stonewall ao orgulho além das marchas

Junho é o mês do orgulho queer, com marchas e celebrações que remontam a 28 de Junho de 1969, considerado o momento fundador do movimento LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, transgénero) nos Estados Unidos. Foi por causa da vontade de dar a conhecer as vivências de pessoas queer noutras épocas que Leighton Brown e Matthew Riemer, advogados de Washington D.C., criaram em 2016 a @lgbt_history, uma conta no Instagram que publica imagens de vários arquivos do movimento LGBT, recuperando pormenores, estabelecendo ligações e identificando pessoas marcantes que muitas vezes ficam de fora da memória colectiva. “Negarem-nos a nossa história é uma parte fundamental da perseguição às pessoas queer: as culturas trabalham duro para diminuir a importância das nossas vidas e das nossas histórias”, escreve o casal na revista Them.

"Homens negros e brancos de Boston unidos" - Gay & Lesbian Pride Parade em Boston, Massachusetts, em Junho de 1984,"Homens negros e brancos de Boston unidos" - Gay & Lesbian Pride Parade em Boston, Massachusetts, em Junho de 1984 c/o @northeastern
“The Darned Club” (Alice Austen, Trude Eccleston, Julia Marsh e Sue Ripley), da fotógrafa Alice Austen, tirada em Staten Island, Nova Iorque, Outubro de 1891,“The Darned Club” (Alice Austen, Trude Eccleston, Julia Marsh e Sue Ripley), da fotógrafa Alice Austen, tirada em Staten Island, Nova Iorque, Outubro de 1891 Alice Austen, c/o @aliceaustenhouse
“Se acha que as bichas estão a revoltar-se, nós estamos” [trocadilho com "são revoltantes"], lê-se na t-shirt de Chris Johnson no Dia do Orgulho Gay em San Diego, California, c. 1975 Christine Kehoe, c/o @lambdaarchives
“You never completely have your rights for one person until you all have your rights.” (tradução livre: “Só teremos direitos por completo quando todas as pessoas tiverem direitos”) – Marsha P. Johnson, pioneira da luta pelos direitos LGBT nos EUA (Marsha P. Johnson em Nova Iorque, a 10 de Maio de 1978) © Bettye Lane, c/o Radcliffe Institute
"Um dia sem lésbicas é como um dia sem a luz do sol” - Gay Freedom Day Parade de São Francisco, California, em Junho de 1979 Fotógrafo desconhecido
"Crime: Sodomia". Homer Baker e Thomas Keene detidos a 5 de Junho de 1908 na prisão estatal de San Quentin, na California c/o @glbt_history
Prisioneiros com o triângulo cor-de-rosa (que marcava as pessoas queer) no campo de concentração de Sachsenhausen, Alemanha, a 19 de Dezembro de 1938 c/o Corbis
“Parem de gastar $$$ dos impostos em caça às bruxas por homossexuais” - Guy Strait, fundador das primeiras publicações dirigidas à comunidade LGBT, marcha em São Francisco, 21 de Maio de 1966 c/o @glbt_history
Marsha P. Johnson, Sylvia Rivera e outras activistas da Street Transvestite Action Revolutionaries (S.T.A.R.) lideram a Parada de Christopher Street Liberation Day em Nova Iorque, a 24 de Junho de 1973 Leonard Fink, c/o @lgbtcenternyc
“Dele” — “Dele também”, lê-se nas t-shirts de um casal em Christopher Street West, Los Angeles, a 29 de Junho de 1975 Fotógrafo desconhecido, da colecção do @lgbt_history
"Bichas são fantásticas", Harmodius e Hoti na Castro Street Fair em São Francisco, em Agosto de 1975 © Danny Nicoletta (@dannic100)
Bobbi Campbell na International Lesbian & Gay Freedom Day em São Francisco, em Junho de 1983. “Sou Bobbi Campbell e tenho ‘cancro gay’.” - foi com estas palavras, publicadas na primeira página do San Francisco Sentinel em Dezembro de 1981, que Bobbi Campbell se tornou a primeira pessoa a assumir publicamente estar doente com sarcoma de Kaposi (uma infecção associada à sida). Morreu aos 32 anos, em Agosto de 1984 Roger Ressmeyer
“Bi e grande” – “Escudo contra a bi-fobia” – “Bi-ceps”, Lani Ka’ahumanu e outras activistas bissexuais no International Lesbian & Gay Freedom Day em São Francisco, 24 de Junho de 1984 Arlene Krantz, c/o Lani Ka’ahumanu
"Fufas contra o Klan" - South Portland, Maine, 11 de Junho de 1988 Annette Dragon
"Transexuais pela mudança" - Heritage of Pride Parade em Nova Iorque, a 24 de Junho de 1990 Robert Fisch (@nyc1gwm)
"Stonewall foi um motim, não o nome de uma marca" - activistas da Homocore Chicago na Lesbian & Gay Pride em Chicago, Illinois, a 5 de Junho de 1994 c/o The Queer Zine Archive Project
"Graças a Deus sou gay” - comemoração dos 25 anos dos motins de Stonewall, em Junho de 1994, em Nova Iorque © Michael J. Prendergrast
"Hip hip hurra! Os meus dois filhos são mesmo gay!" - Pride Parade em Londres, Junho de 1995 Photofusion Picture Library
“Precisamos de maridos” - Lesbian & Gay Pride de Chicago, Illinois, em Junho de 1995 c/o @gerberhart
“Poder gay, poder negro, poder feminino, poder estudantil, todo o poder para o povo”, protesto em Weinstein Hall, Nova Iorque, em Outubro de 1970 Diana Davies, c/o @nypl
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"Homens negros e brancos de Boston unidos" - Gay & Lesbian Pride Parade em Boston, Massachusetts, em Junho de 1984,"Homens negros e brancos de Boston unidos" - Gay & Lesbian Pride Parade em Boston, Massachusetts, em Junho de 1984 c/o @northeastern

A comunidade LGBT do Uganda (re)encontrou as perseguições num campo de refugiados do Quénia

Eva Nabagala faz parte da comunidade de cerca de 300 pessoas LGBT (Lésbica, Gay, Bissexual e Transexual) do campo de refugiados de Kakuma, no Quénia. Fugiu do Uganda com o filho para escapar às perseguições da própria família. Mas diz ter sido agredida e violada quando chegou ao campo, como “castigo” por ser lésbica: “Fui ameaçada de morte, espancada, assediada e abusada sexualmente”, conta à Reuters. “Fugi de casa porque queria estar segura, queria protecção, mas tornou-se no oposto.” Não é a única, mostram as fotografias publicadas em 2020No Quénia, relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo são puníveis com penas de até 14 anos de prisão. Ainda que a prisão raramente aconteça, a discriminação destes grupos é comum. 

Kimuli Brian e Dennis Wasswa Goran Tomasevic | REUTERS
Ninshaba Erigalda, Shamim e Nabaterega Winnie Goran Tomasevic | REUTERS
Mousa Goran Tomasevic | REUTERS
Suzan Nakajiri Goran Tomasevic | REUTERS
Goran Tomasevic | REUTERS
Kambugu Mubarak, Muheeza Jumapili Frank, Kikongo Andrew e Mulumba Musa Goran Tomasevic | REUTERS
Goran Tomasevic | REUTERS
Goran Tomasevic | REUTERS
Goran Tomasevic | REUTERS
Kimuli Brian e Dennis Wasswa Goran Tomasevic | REUTERS
Goran Tomasevic | REUTERS
Goran Tomasevic | REUTERS
Goran Tomasevic | REUTERS
Goran Tomasevic | REUTERS
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Goran Tomasevic | REUTERS
Eva Nabagala e o filho Goran Tomasevic | REUTERS
Goran Tomasevic | REUTERS
Suzan Nakajiri e Eva Nabagala Goran Tomasevic | REUTERS
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Kimuli Brian e Dennis Wasswa Goran Tomasevic | REUTERS

E um bónus: a fotógrafa que documentou a vida das mulheres lésbicas nos anos 70

Nos anos 70, a fotógrafa Joan E. Biren, conhecida por JEB, não se revia nas fotografias de lésbicas que existiam na altura. Fazer um retrato autêntico desta comunidade, nos Estados Unidos, foi o que motivou JEB a criar o conjunto de retratos que viriam a compor o fotolivro Eye to Eye: Portraits of Lesbians, editado pela primeira vez em 1979 pela própria e reeditado recentemente, em Março de 2021, pela Anthology Editions. Podes ver algumas das imagens aqui.

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Gloria e Charmaine, Baltimore, Maryland, EUA, 1979. ©JEB
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