Conseguirão as tecnologias do espaço revolucionar a exploração sustentável dos oceanos?

A utilização de tecnologias do espaço para suportar a tomada de decisão de políticas públicas para a exploração sustentável dos oceanos é a única solução que temos para potenciar a economia azul enquanto cuidamos dos nossos oceanos.

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Paulo Pimenta

Actualmente, é possível observar um crescimento da actividade económica relacionada com os oceanos em Portugal e por toda a União Europeia. Segundo a OCDE, até 2030 a economia azul irá duplicar a sua expressão. Antevê-se um crescimento acima da média dos empregos relacionados com os sectores da economia azul, com especial incidência na aquicultura marinha, transformação e comercialização dos peixes, eólica offshore e actividades portuárias. 

Os nossos oceanos são uma enorme fonte de recursos económicos, desde a criação de novos postos de trabalho ao fornecimento de energia renovável e recursos naturais, que irão ser essenciais para enfrentarmos muitos desafios globais, nomeadamente, no que diz respeito às mudanças climáticas. No entanto, é necessário perceber que o crescimento da economia azul está (e irá continuar) a criar mais pressões sobre os activos naturais e corremos o risco de sobrecarregar ainda mais os nossos oceanos. 

O oceano faz parte da identidade histórica de Portugal e o actual Governo pretende duplicar o peso da economia azul no PIB, com o objectivo de atingir os 5%. Porém, estamos bastante dependentes das políticas públicas não só para impulsionar a exploração dos oceanos, mas a fim de o fazer de forma responsável e sustentável. A Estratégia Nacional para o Mar 2021-2030 e a Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e Biodiversidade 2030 focam, essencialmente, como a sustentabilidade da economia azul depende das políticas públicas para promoção da conservação dos ecossistemas marinhos.  

Uma dupla integração das tecnologias do espaço na economia azul é crucial para a exploração sustentável dos oceanos. Tal como o ministro do Mar, Ricardo Serrão Santos, em entrevista à agência Lusa preveniu: “A ciência só por si não vai dar conta disto. Pode dar todas as pistas, todo o conhecimento, fazer o diagnóstico e propor, aliás, soluções, mas se não tivermos uma boa governação e políticas públicas que se entrosem e que apliquem esse conhecimento e essas soluções, as coisas não vão lá por si”. Deste modo, as tecnologias do espaço são uma ferramenta muito poderosa e um grande apoio não só no desenvolvimento de soluções inovadoras, mas também no desenho de políticas públicas, pois fornecem informações a tempo quase real dos ecossistemas locais e das barreiras ambientais, auxiliando assim na tomada de decisão.   

As tecnologias do espaço podem ser utilizadas no mapeamento e na monitorização do meio ambiente marinho, em particular, na monitorização da actividade humana, dos recursos marinhos, das áreas marinhas protegidas bem como das condições meteorológicas e outras condições ambientais marinhas e, por fim, no controlo dos stocks de peixes. Estes dados são recursos inestimáveis para os governos, permitindo o desenho de políticas públicas mais eficientes e eficazes, protegendo os ecossistemas vulneráveis ao mesmo tempo que se tira o máximo valor dos recursos que os oceanos potenciam.  

Mas acima de tudo permite fazer previsões precisas sobre as mudanças no ambiente marinho consequentes do aumento da sua exploração e, deste modo, adequar atempadamente as políticas públicas. Estes dados fornecem conhecimento essencial para melhorar e adaptar os planos de resiliência promovendo assim novas estratégias que se vão adequando às necessidades imediatas dos nossos oceanos. Assim, a integração de dados do espaço para suportar a tomada de decisão de políticas públicas para a exploração sustentável dos oceanos é a única solução que temos para potenciar a economia azul enquanto cuidamos dos nossos oceanos.