Gestor da consultora BCG vai monitorizar ajudas do Estado à TAP

Assembleia geral de accionistas da TAP SGPS oficializou a escolha de Christine Ourmières-Widener para a presidência executiva e de Manuel Beja, ex-Novabase, para a presidência da comissão de administração.

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Estado detém 72,5% do capital da TAP SGPS através da Parpública e da DGTF LUSA/MÁRIO CRUZ

A assembleia geral de accionistas da TAP SGPS que se realizou esta quinta-feira nomeou uma comissão de monitorização dos auxílios de Estado para o período de 2021 a 2024 e que será presidida por Patrício Ramos Castro, um gestor de topo da consultora BCG, contratada para ajudar a empresa pública a elaborar e executar um plano de reestruturação da companhia. Ligado à BCG desde 1999, Patrício Ramos foi também nomeado membro do conselho de administração da empresa.

A nova estrutura da TAP vai ser formada também por Christine Ourmières-Widener, eleita para a presidência executiva, e por João Gameiro, que será o novo administrador executivo com o pelouro financeiro. O Estado já emprestou 1200 milhões de euros à TAP em 2020 e este ano injectou mais 462 na TAP SA, da qual passou a deter directamente 91,8% do capital.

Este ano, a empresa irá precisar ainda de cerca de 500 milhões do Estado, podendo esse valor ser aplicado directamente ou apresentado como garantia junto de potenciais investidores (como obrigacionistas), sendo certo que o grupo permanecerá nos prejuízos em 2021 e 2022, após as perdas de 1418 milhões sofridas em 2020.

As contas mais recentes do Governo apontam para necessidades de 800 milhões em 2022 e que a empresa possa financiar-se por si só no ano seguinte. Ao todo, a verba chega aos 2970 milhões de euros, mas poderá ir até aos 3725 milhões de euros até 2024 num cenário mais agravado.

De acordo com o comunicado da TAP, a assembleia geral contou com “cerca de 97,6% do capital social da TAP SGPS”, pelo que perto de metade do capital detido pelos pequenos accionistas não se fez representar (o Estado é dono de 72,5%, cabendo outros 22,5% a Humberto Pedrosa e 5% a trabalhadores e outros investidores). A eleição dos novos membros dos órgãos e corpos sociais da TAP SGPS para o período 2021-2024, diz a empresa, “foi aprovada por 99,99% dos votos expressos”.

Assim o conselho de administração será presidido por Manuel Beja, ex-Novabase, conta com cinco administradores não executivos: João Duarte (eleitos pelos trabalhadores), José Silva Rodrigues (escolhido por Humberto Pedrosa, e que se mantém no cargo), Patrício Castro (da BCG, consultora que tem participado na reestruturação da empresa), Ana Teresa Lehman (secretária de Estado da Indústria do anterior Governo socialista e consultora), e Gonçalo Pires (fundador da Adamastor Investments e ligado à banca).

A estes juntam-se Christine Ourmières-Widener, que, aos 56 anos, foi escolhida para presidir à comissão executiva da transportadora aérea, que voltou a ser dominada por capitais públicos. A gestora tem experiências no sector, destacando-se o período recente de 2017-2019, durante o qual liderou a britânica Flybe durante um período de dificuldades financeiras. Esta companhia acabou por ser comprada em 2019 pela Connect Airways, formada pela Virgin e pela Stobart Aviation. Rebaptizada de Virgin Connect, acabou por fechar logo no início da pandemia, em Março do ano passado, mas a ideia é ser relançada com um novo accionista.

Ao seu lado na comissão executiva, vão estar Ramiro Sequeira, como chief operating officer (até aqui presidente executivo interino), Alexandra Reis fica a chief corporate officer (mantendo-se na gestão como representante do accionista privado, Humberto Pedrosa), João Gameiro, ex-BBVA, é o novo chief finance officer, ex-BBVA e Silvia Mosquera González, ex-Avianca, é a nova chief comercial officer.

Chefiada pela primeira vez por uma mulher, a comissão executiva da TAP, formada por cinco elementos, passa também a ser maioritariamente feminina.

Esta é a gestão que vai liderar a TAP durante o período do plano de reestruturação, cujo objectivo é colocar a empresa numa rota de rentabilidade, recuperando passageiros e receitas (isto depois de muitos anos de prejuízos mesmo antes da pandemia, com e sem accionistas privados). Com o apoio de verbas do Estado para se financiar, a estratégia prevê que o grupo volte ao lucro em 2023 e que a TAP SA tenha um resultado operacional positivo em 2024, ano em que acaba o mandato da nova gestão, começando a devolver dinheiro ao Estado no seguinte.

Entre os desafios mais imediatos, além da gestão da empresa num cenário volátil devido à pandemia, está o da conclusão da redução de pessoal, que poderá passar por um despedimento colectivo na empresa pública, e a aplicação das primeiras medidas ligadas ao plano de reestruturação entregue na Comissão Europeia a 10 de Dezembro, e que aguarda ainda “luz verde”.