Lula Pena mostra a sua música ao pôr do Sol, na Casa da Cerca

A cantora e compositora Lula Pena protagoniza o quarto concerto deste ano do ciclo Há Música na Casa da Cerca, em Almada, este sábado, às 18h. Já esgotado, será transmitido dia 3 de Julho no Facebook do PÚBLICO.

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Lula Pena Buddhy

O primeiro concerto foi gravado sem público, devido à pandemia, e transmitido depois via Facebook, no dia 20 de Março, ao mesmo tempo que era divulgado o programa para 2021 do ciclo Há Música na Casa da Cerca. Juntou Bernardo Couto e Martín Sued, num dueto inédito. O segundo, com Braima Galissá (18 Maio), marcou o regresso do público aquele espaço, embora mantendo as restrições e cuidados ditados pelas normas da DGS. O terceiro, seguindo idênticas regras, teve como protagonistas Victor Zamora e Sexteto Cuba, com o concerto Gracías, Compay!, celebrando a música tradicional cubana (19 de Junho). Agora, é a vez da cantora e compositora Lula Pena propor uma viagem pelo seu repertório. Este sábado, dia 26, pelas 18h, com entrada livre (máximo 50 lugares, já esgotados). O concerto, o quarto deste ciclo e o segundo do formato Concertos ao Pôr do Sol, será filmado para transmissão posterior no Facebook do PÚBLICO, dia 3 de Julho às 18h.

Nascida em Lisboa, em 15 de Maio de 1974, e registada como Maria de Lurdes Pena, o nome artístico de Lula Pena surgiu-lhe numa viagem de comboio, aos 15 anos: “Eu era a única pessoa que levava viola e cantava”, contou ela ao PÚBLICO em 2002. “Houve um contacto imediato e imensa gente achava que o nome Lurdes não tinha nada a ver. De repente tinha trezentas pessoas no comboio a especular sobre o que eu poderia ser. Havia de tudo, até que Lula reuniu consenso. Renasci, passei a ser outra pessoa.”

Antes de rumar a Barcelona e depois a Bruxelas, Lula Pena andou por bares de Lisboa a cantar o que sabia: versões de Cat Stevens ou Simon & Garfunkel, porque, com dois irmãos mais velhos do que ela, ia descobrindo os discos que eles tinham em casa. Em Bruxelas gravou o primeiro disco, Phados, em 1998, com fados de Amália, canções de Caetano Veloso e temas do cancioneiro popular português, para a editora Carbon7.

De volta a Portugal, e depois de gravar com Rodrigo Leão o tema Pasión (para o disco Alma Mater, 2000), apresentou em 2002 na Culturgest o espectáculo Profissão de Fée, a antecipar um disco que acabaria por não se concretizar. Mas oito anos depois, em 2010, surgiu com Troubador, disco dividido em Actos, do I ao VII, como uma peça teatral feita de canções e que ela descreveu deste modo ao Ípsilon, em Julho desse ano: “Fui construindo qualquer coisa que reforça a minha postura, a respiração, com mais músculo, voz e guitarra.”

Vítor Belanciano, que então a entrevistou, observava a propósito: “Lula Pena diz que se sente perto do fado, mas também mais livre. E há elementos de muitas outras linguagens (tango, ‘chanson’, flamenco ou bossa nova) diluídas num cosmos particular, ondulando na superfície da sua guitarra. A maior parte das canções ignora fronteiras, caminham descalças pelo Mediterrâneo, atravessam com leveza o Oceano para o Atlântico Sul, numa mistura de emoções, memórias e tradições.”

A Troubador seguiu-se, em 2017, Archivo Pittoresco, pela editora belga Crammed Discs. De novo no Ípsilon, Vítor Belanciano retratava-o como um disco que “ignora totalmente tipologias ou fronteiras precisas, numa hipnótica digressão feita sem interrupções, onde desaguam diversos ecos, línguas e elementos sonoros, mas onde afinal nunca saímos da verdade mais elementar: é sempre Lula Pena que ouvimos, o seu dedilhar, a relação quase física com a guitarra, numa linha contínua onde não existem estruturas pré-definidas”. “A minha ideia”, explicou Lula, “é que este disco funcionasse como contínuo, sem separações. A guitarra é a protagonista e a voz acompanha.”

É com este acervo na bagagem que Lula Pena se apresenta agora no programa Há Música na Casa da Cerca, que este ano vai na sua 7.ª edição. Desenvolvido desde 2015 pela Casa da Cerca - Centro de Arte Contemporânea (Almada), em parceria com a editora e produtora discográfica PontoZurca, realiza-se em vários espaços da Casa, nos formatos Música nas Exposições e Concertos ao Pôr do Sol. Até Setembro, foram já anunciados os próximos concertos. O primeiro deles será com Amaura (31 de Julho), seguindo-se-lhe os Lisboa String Trio (28 de Agosto) e Fred (25 de Setembro).