EUA dizem que eleições no Peru foram “livres e justas”

Departamento de Estado norte-americano considera que as presidenciais peruanas foram “um modelo de democracia na região”, em mais um revés para a candidata de direita, Keiko Fujimori, que tem alegado fraude eleitoral.

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Pedro Castillo deverá ser o próximo Presidente do Peru assim que forem divulgados os resultados finais das eleições SEBASTIAN CASTANEDA/Reuters

Os Estados Unidos consideram que as eleições presidenciais no Peru foram “livres e justas” e pedem que a contagem dos votos por parte das autoridades seja respeitada de acordo com a lei.

Numa nota divulgada esta quarta-feira, o Departamento de Estado dos EUA felicitou o país sul-americano por ter levado a cabo eleições que serviram como “um modelo de democracia na região”.

A mensagem da administração norte-americana é mais um revés para a candidata de direita, Keiko Fujimori, que continua a alegar que a sua derrota para o candidato de esquerda, Pedro Castillo, ficou a dever-se a fraude eleitoral em larga escala.

Na nota do Departamento de Estado, o porta-voz Ned Price endossou o apoio dos EUA às autoridades de Lima para que levem o tempo necessário para “divulgar os resultados de acordo com a lei peruana”, destacando ainda a “profunda amizade entre os dois países”.

O Peru aguarda ainda a confirmação oficial dos resultados das eleições presidenciais após a disputada segunda volta de 6 de Junho, que deixou Pedro Castillo, com 50,12 por cento dos votos, à frente da conservadora Keiko Fujimori, com 49,87 por cento dos votos. A candidata da Fuerza Popular apresentou mais de 800 pedidos de anulação de votos, que estão a ser analisados pelo Júri Nacional de Eleições.

As eleições presidenciais peruanas foram supervisionadas por várias organizações nacionais e internacionais, incluindo missões diplomáticas de observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da União Europeia (UE), entre outras, que afastaram a existência de quaisquer irregularidades.

A confirmar-se a vitória de Castillo, do partido Peru Libre, esta será a terceira derrota eleitoral de Fujimori. Nas presidenciais de 2011, foi derrotada pelo candidato de esquerda Ollanta Humala e, em 2016, perdeu para o banqueiro Pedro Pablo Kuczynski, que renunciou em Março de 2018 por pressão da bancada parlamentar fujimorista no Congresso.

O director da Human Rights Watch (HRW) para as Américas, José Miguel Vivanco, questionou entretanto até quando Keiko Fujimori continuará a imitar o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

“Por quanto tempo Keiko Fujimori continuará a brincar, como se fosse Trump?”, escreveu Vivanco na sua conta de Twitter, referindo-se às repetidas denúncias de fraude da candidata conservadora, que compara às tentativas de Donald Trump para reverter os resultados das eleições presidenciais nos EUA, em Novembro de 2020, quando foi derrotado pelo actual Presidente, Joe Biden.