Tenho sessenta anos adolescentes

A escrita de Adília Lopes atravessa e arrebata várias origens e instala um sincretismo singularíssimo.

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É esta a desconcertante singularidade: fontes eruditas, chavões publicitários, receitas culinárias, leituras de infância, provérbios Miguel Manso

Adília Lopes (AL), isto é, Maria José Fidalgo de Oliveira, publicou Dias e Dias, escrito aquando do confinamento. “A minha mãe chamava-se Maria José”, diz. Até uma tia-trisavó tinha o mesmo nome. É uma mesma linhagem afunilando o caos, como a epígrafe deste livro: “a poesia desentropia”. Também a turbulência fica confinada. Entropia prende-se com a Segunda Lei da Termodinâmica e a terminologia científica abunda na autora. O título, Dias e Dias (e não dia após dia ou dia a dia), é sintoma de um continuum que insiste mais do que se desenvolve. O mesmo traz segurança — “Estar em casa/ estar dias e dias”, por entre os objectos de que tanto gosta.

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