Saúde, a grande mentira dos cortes de Pedro Passos Coelho

O Governo de Passos Coelho não fez cortes na Saúde. Ou seja, não disponibilizou menos recursos aos seus utentes. Tomou sim uma série de medidas que aumentaram muito a eficiência do SNS e eliminaram o desperdício.

A intervenção séria de Pedro Passos Coelho na apresentação do meu livro, Um Manual Para a Mudança na Saúde, fez "tremer as pernas” à esquerda. Como era de esperar, a esquerda reagiu recorrendo à fábula e mentira de sempre sobre os “cortes” do Pedro Passos Coelho na Saúde.

Cortes (rotulados de cativações) houve sim no Governo dos socialistas, em que o ministro da Saúde se proclamava Centeno.

E mesmo no investimento público total lembro que Costa investiu menos que Passos Coelho. Isto quando Passos assumiu o Governo numa altura em que Portugal estava em falência e sob a intervenção externa da troika, chamada pelo governo PS, que tinha mais uma vez levado o país à falência; quando, pelo contrário, António Costa herdou um país em crescimento e sem troika.

Peço, sobretudo aos responsáveis editoriais da comunicação social, que cumpram o papel de que se reclamam, para que a verdade e a realidade venham ao de cima.

Segue o capítulo do meu livro sobre este tema:

A grande mentira dos cortes de Pedro Passos Coelho​

O Governo de Passos Coelho não fez cortes na Saúde. Ou seja, não disponibilizou menos recursos aos seus utentes. Tomou sim uma série de medidas que aumentaram muito a eficiência do SNS e eliminaram o desperdício.

E fê-las do seguinte modo:

  • Através da obrigação da receita eletrónica e da manipulação inteligente do sistema informático, que pôs todos os médicos a receitaram por princípio ativo genérico. Com milhões de poupança para o SNS e para os utentes, que passaram a pagar muito menos, ou até mesmo nada, na maioria dos medicamentos. Quem sofreu foram as farmácias e a indústria farmacêutica, não foram os utentes.
  • Criou, com a Ordem dos Médicos e a Direção-Geral da Saúde, as “Normas da DGS”, com orientações clínicas custo/efetivas que passaram a ser o paradigma da prática médica, dando origem a uma boa prática clínica e a muita poupança em exames e medicamentos sem interesse clínico efetivo, muitas vezes inspirados pela indústria farmacêutica. Hoje, os médicos usam para a sua formação estas “Normas” e não os congressos oferecidos por aquela indústria;
  • Fez o acordo da ADSE com os hospitais privados, possibilitando dar resposta rápida a muitos milhares de utentes e aliviando assim muito o SNS, quer na procura, quer nos custos;
  • Aumentou os horários dos médicos para 40 horas, aumentando assim a oferta de mais horas médicas e poupando em horas extra;
  • Aumentou, sem custos, os horários dos restantes funcionários de 35 para 40 horas, reduzindo as necessidades de pessoal;
  • Criou um imposto adicional sobre os salários da Função Pública, o que reforçou a poupança com salários sem prejuízo das horas disponibilizadas.

Tudo isto sem que os utentes sofressem, antes pelo contrário. Tudo isto foi feito para garantir a continuidade da assistência na Saúde. Quem sofreu, sim, foram os lóbis e os profissionais. E é isto que explica a imensidão dos ataques de que foi alvo.

E o que fez o Governo do PS?

  • Reverteu para as 35 horas criando grandes dificuldades de pessoal e obrigando a mais custos;
  • Fez cortes à séria a que chamou “cativações”, mentido na AR na aprovação dos Orçamentos, e pôs o SNS na penúria;
  • Pôs a Administração a gerir os interesses eleitorais do partido do Governo, cedendo aos lóbis, em prejuízo dos utentes.
  • Deixou cair a Reforma dos Cuidados de Saúde Primários de Correia de Campos, tornando escuro o futuro desta área tão fundamental.
  • Levou o SNS à falência, desfalcado de pessoal médico e outro, mercê do aumento de custos com pessoal decorrentes das reversões em simultâneo com os cortes das cativações, e com os equipamentos obsoletos. O gráfico abaixo comprova o real desinvestimento na Saúde nestes tempos de “Governo das Esquerdas”. Isto no tempo das “vacas gordas”.
  • Alterou à esquerda e com a extrema-esquerda, contra a vontade de grande parte do PS e do Presidente da República, a Lei de Bases da Saúde e acabou com as PPP que se estavam a revelar de qualidade e eficientes (para evitar o SNS público a comparações), perdendo-se o benefício do benchmarking e a poupança de 20% certificada pelo Tribunal de Contas.

Assim nunca as consultas e cirurgias estiveram tão atrasadas como agora (mais de um ano), obrigando os portugueses a pagar a saúde do seu bolso, recorrendo no regime livre aos privados.

Nunca o “negócio” correu tão bem para “os privados”, que estão a duplicar as suas instalações. Nunca como agora a indústria seguradora vendeu tantos seguros de saúde.

PÚBLICO -
Aumentar

Nunca como agora se está a criar na saúde "Um país, dois sistemas” – um para ricos e funcionários públicos assente nos privados e um para pobres assente num SNS cada vez mais degradado.

Conhecem na saúde alguma medida de gestão eficaz do Governo PS?

Mas não deixa de ser verdadeiramente chocante apercebermo-nos de como a comunicação social se deixou manipular e alinhou na propagação desta fortíssima e mediatizada campanha contra os “cortes de Pedro Passos Coelho na Saúde”, que foi, como acima se demonstra, absolutamente falsa, e visou apenas beneficiar os interesses políticos dos partidos das esquerdas. E como António Costa e o PS se aproveitaram dela, e dela foram cúmplices, para em 2015 chegarem ao Governo (as “linhas vermelhas” que António Costa traçou em nome da defesa do SNS público; e até chamou António Arnaut para seu mandatário nas legislativas…)

E como agora a ministra da Saúde chama de “criminosos” todos os que se atrevem a referir o estado destapado a que deixou chegar o SNS…

O autor escreve segundo o novo acordo ortográfico